O sucesso de João Fonseca colocou o tênis brasileiro novamente no centro das atenções, mas outro jovem começa a percorrer caminho parecido. Luís Augusto Queiroz Miguel, conhecido como Guto Miguel, tem 17 anos, ocupa a liderança do ranking mundial juvenil e já provou ser uma das principais promessas da modalidade. Em 2026, se tornou o […]
O sucesso de João Fonseca colocou o tênis brasileiro novamente no centro das atenções, mas outro jovem começa a percorrer caminho parecido. Luís Augusto Queiroz Miguel, conhecido como Guto Miguel, tem 17 anos, ocupa a liderança do ranking mundial juvenil e já provou ser uma das principais promessas da modalidade.
Em 2026, se tornou o primeiro brasileiro campeão juvenil de Roland Garros. Pouco mais de um mês depois, conquistou também o título de duplas de Wimbledon. Ao todo, o jovem já acumulou cerca de US$ 280.914 (aproximadamente R$ 1,6 milhão na cotação atual).
Imerso no esporte
Nascido em fevereiro de 2009, Guto teve o primeiro contato com o tênis dentro de casa. O pai jogava de forma amadora, e o irmão mais velho, Luís Felipe Miguel, já treinava e disputava competições. Ao acompanhar a rotina dos dois, o caçula começou a jogar ainda criança e, pouco a pouco, decidiu que também queria seguir carreira no esporte.
A principal mudança em sua formação aconteceu entre os 13 e os 14 anos. Depois de uma conversa entre o técnico Kike Grangeiro e o pai do jogador, Guto deixou Goiás, sua terra natal, para treinar em Brasília e trazer profissionalismo à carreira.
Mas a adaptação exigiu um sacrifício familiar. Durante os primeiros seis meses, ele viveu na casa da família de outro atleta, enquanto os pais continuaram em Goiás. À medida que o trabalho avançou e os resultados começaram a aparecer, a família decidiu se mudar para Brasília e acompanhar a trajetória do jovem mais de perto.
Ascensão no circuito juvenil
O nome do garoto começou a se fortalecer no cenário internacional em 2025, e na última temporada, conquistou torneios na Bélgica, no Canadá e no México, além de chegar à semifinal juvenil do US Open.
Vencer o título do J500 de Mérida, uma das principais competições do calendário juvenil abaixo dos Grand Slams, colocou o brasileiro de vez entre os melhores jogadores de sua geração.
Em 2026, Guto passou a disputar mais torneios profissionais. Ainda aos 16 anos, recebeu um convite para jogar a chave principal do Rio Open e conseguiu tirar um set do lituano Vilius Gaubas, atual número 126 do mundo.
Poucos meses depois, alcançou a primeira semifinal da carreira em um Challenger, em Santos. No mesmo torneio, conquistou o título de duplas ao lado de Luís Felipe. Os irmãos derrotaram Mateus Alves e Pedro Sakamoto na decisão e levantaram juntos o primeiro troféu da parceria nesse nível do circuito.
A maior conquista da carreira veio em junho deste ano. Guto venceu o norte-americano Michael Antonius por 6/3 e 6/4 e se tornou o primeiro brasileiro campeão da chave juvenil masculina de simples de Roland Garros. O título também levou o goiano à liderança do ranking mundial juvenil.
Pouco mais de um mês depois, Guto voltou a ser campeão em um Grand Slam. Ao lado do esloveno Žiga Šeško, venceu a chave juvenil de duplas de Wimbledon e se tornou o segundo brasileiro a conquistar a competição masculina da categoria no torneio inglês.
Mais recentemente, o jovem também chamou atenção no UTS Rio, torneio de exibição com regras um pouco diferentes. Convidado de última hora, derrotou Nick Kyrgios (906°), Brandon Nakashima (31°) e Francisco Cerúndolo (23°) antes de reencontrar Nakashima e perder a decisão.
Aos 17 anos, Guto se tornou o jogador mais jovem a disputar uma final do evento. O desempenho, porém, não teve efeito sobre sua posição na ATP, já que o UTS utiliza regras próprias e não distribui pontos para o ranking profissional.
O próximo João Fonseca?
As comparações com João Fonseca começaram por causa das semelhanças entre os dois. Ambos chegaram à liderança do ranking juvenil, conquistaram um Grand Slam na categoria e estrearam no Rio Open ainda adolescentes.
O goiano já afirmou que acompanha a trajetória do colega e que pretende seguir um caminho parecido. Isso não significa, porém, que os dois estejam no mesmo momento, e nem que devam ser comparados.
João Fonseca já está consolidado no circuito profissional. Guto ainda alterna a participação em torneios juvenis com os primeiros desafios entre os adultos.
A transição está no começo, mas Guto já deixou de ser apenas uma promessa baseada em projeções. Se João Fonseca já é realidade, Guto surge como a nova maior promessa brasileira no tênis.
Entre na conversa da comunidade