Bruno Guimarães foi anunciado pelo Arsenal neste sábado (8) e um detalhe chamou a atenção: o número da camisa escolhido pelo brasileiro. Para um meio-campista, camisas como 5, 8 ou 10 costumam ser as mais tradicionais, mas, para Bruno, nenhuma delas tem o mesmo significado da 39.
Vendido pelo Newcastle em uma transferência de 75 milhões de libras (R$ 514,3 milhões), o brasileiro manteve no clube londrino uma homenagem ao pai que carrega desde os tempos de Athletico Paranaense, onde se destacou antes de seguir para o futebol europeu.
Bruno Guimarães foi anunciado pelo Arsenal neste sábado (8) e um detalhe chamou a atenção: o número da camisa escolhido pelo brasileiro. Para um meio-campista, camisas como 5, 8 ou 10 costumam ser as mais tradicionais, mas, para Bruno, nenhuma delas tem o mesmo significado da 39.
Vendido pelo Newcastle em uma transferência de 75 milhões de libras (R$ 514,3 milhões), o brasileiro manteve no clube londrino uma homenagem ao pai que carrega desde os tempos de Athletico Paranaense, onde se destacou antes de seguir para o futebol europeu.
039 era o número do táxi de seu pai, Dick, no Rio de Janeiro. Foi daquele carro que saiu boa parte do dinheiro que sustentou a família e permitiu que Bruno continuasse tentando realizar o sonho de ser jogador profissional.

Foto por ANDY BUCHANAN / AFP
Na carta publicada no The Players’ Tribune, Bruno conta que o pai passava o dia e a noite trabalhando como taxista. O dinheiro ajudava a pagar a casa, a comida, os móveis e as chuteiras do filho. Em muitos períodos, o sábado era um dos poucos dias em que os dois conseguiam se encontrar, justamente porque Dick aproveitava para acompanhar os jogos do garoto.
O táxi também estava lá nos momentos mais difíceis da formação do meia. Aos 15 anos, Bruno deixou o Rio de Janeiro para jogar no Audax, em São Paulo. Foram cerca de cinco horas de viagem com os pais até a nova cidade, dentro do mesmo táxi amarelo de número 039.
Bruno passou três anos tentando conquistar espaço e chegou aos 17 ainda sem contrato profissional. Recebia cerca de R$ 400 por mês e começou a tirar a carteira de motorista enquanto preparava um plano B.
Se o futebol não desse certo até os 18 anos, seguiria a profissão do pai e trabalharia como taxista.
Quando o 039 virou 39
A oportunidade no Athletico apareceu em 2017. Depois de se destacar pelo Audax-SP na Copa São Paulo de Futebol Júnior, Bruno foi emprestado ao clube paranaense.
Já em Curitiba, antes de escolher a camisa, Bruno telefonou para o pai e disse que pensava em usar a 97, referência ao ano em que nasceu. Dick sugeriu outra opção. Lembrou ao filho que o 039 havia ajudado a pagar praticamente tudo que eles tinham e perguntou por que ele não usava o 39.
Bruno decidiu consultar o clube, mas nem precisou fazer o pedido. Quando chegou ao vestiário para realizar os exames médicos, seu material já estava separado. Ao abrir a sacola, encontrou uma camisa que havia sido escolhida sem qualquer conversa com ele, seu pai ou empresário. Era a 39.

Imagem: Arquivo Pessoal – Bruno Guimarães ao TPT
Bruno chegou a perguntar ao roupeiro se alguém havia falado com sua equipe. A resposta foi que não. O número simplesmente estava disponível e parecia ter sido destinado a ele. Ao contar a coincidência ao pai pelo telefone, os dois começaram a chorar.
Com a 39, Bruno se destacou no Athletico, principalmente na campanha do título da Copa do Brasil de 2019. Depois, seguiu para o Lyon, da França, antes de chegar à Premier League, onde virou ídolo do Newcastle e assumiu a braçadeira de capitão.
No Arsenal, a história não poderia começar de forma diferente. No vídeo de anúncio, o clube confirmou a camisa 39, número que Bruno carrega em homenagem ao pai e que representa também a trajetória que permitiu à família transformar o sonho no futebol em realidade.
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