O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, foi denunciado nesta terça-feira (15) pelo Ministério Público de São Paulo por apropriação indébita qualificada. Segundo a acusação, cerca de R$ 721 mil dos cofres do clube teriam sido usados para pagar a segurança pessoal do dirigente e de familiares entre julho de 2025 e agosto deste ano.
🔎 Apropriação indébita qualificada acontece quando alguém se apropria de dinheiro ou de um bem que estava sob sua responsabilidade, mas que não lhe pertencia. Ela é chamada de qualificada quando ocorre em situações consideradas mais graves pela lei, como no exercício de um cargo ou atividade profissional.
Segundo o documento, obtido pelo Portal Tela, os pagamentos foram feitos à Bear Security, empresa contratada durante a gestão de Stabile. A investigação apontou repasses mensais que chegaram a R$ 65 mil e apura se o serviço, bancado pelo Corinthians, atendia a interesses particulares do presidente. Segundo a denúncia, os pagamentos começaram em julho de 2025, mas o contrato com a empresa só foi formalizado em março de 2026.
Entre os elementos citados pelo Ministério Público estão registros da presença de profissionais da empresa em eventos particulares envolvendo familiares de Stabile. A Promotoria também afirma que a Bear Security não tinha autorização da Polícia Federal para atuar como empresa de segurança privada. O MP sustenta ainda que o Corinthians já contava com outra empresa, a Unity, para realizar a segurança institucional do clube.
MP pede afastamento de Stabile
Além da denúncia criminal, o Ministério Público pediu à Justiça o afastamento de Stabile das funções administrativas e associativas no Corinthians. Também foram solicitadas medidas como restrição de acesso às dependências do clube, proibição de contato com testemunhas e limitações para viagens.
A Promotoria também pediu o bloqueio de bens do dirigente e quer que Stabile devolva o dinheiro utilizado, além de pagar outros R$ 540,9 mil por danos morais.
O Corinthians sustenta que a contratação tinha como objetivo garantir a segurança institucional do presidente, e não beneficiar Stabile de maneira particular. O clube também afirma que o serviço estava previsto no estatuto e passou pelos procedimentos internos de compliance.
A denúncia ainda precisa ser analisada pela Justiça de São Paulo e Stabile só se tornará réu caso a acusação seja aceita.
O Portal Tela entrou em contato com a assessoria do clube e recebeu a seguinte nota:
Osmar Stabile, por meio de sua defesa, recebe com estranheza a denúncia apresentada pelo Promotor de Justiça Cássio Conserino, que tenta transformar em acusação criminal a contratação de uma equipe de segurança para o exercício da Presidência do Sport Club Corinthians Paulista. A segurança não foi contratada para Osmar como pessoa, mas em razão do cargo. As ameaças, de conhecimento público, decorreram de sua atuação como presidente, atingiram sua família e motivaram manifestações de repúdio, inclusive da Federação Paulista de Futebol (FPF) e Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O Ministério Público conhecia esses fatos, assim como sabia que a adoção de segurança para dirigentes ocorre em outros grandes clubes e já foi utilizada em gestões anteriores do Corinthians. Nesse contexto, causa também estranheza o pedido de afastamento formulado pelo Ministério Público, que será devidamente contestado nos autos. Osmar Stabile permanece normalmente no EXERCÍCIO DA PRESIDÊNCIA, pois o pedido depende de decisão judicial. A defesa, por sua vez, confia no Poder Judiciário e está segura de que ficará demonstrado que não houve qualquer apropriação de valores do Clube.
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