Faiq Bolkiah, conhecido como o jogador mais rico do mundo, está sem clube aos 28 anos. O atacante deixou o Ratchaburi, da primeira divisão da Tailândia, após o fim do contrato e está livre no mercado.
O que fez o caso ganhar repercussão nesta terça-feira (22) é a ironia da situação. “Desempregado”, enquanto procura um novo time, Bolkiah tem uma fortuna de cerca de R$ 110 bilhões, valor muito acima do patrimônio acumulado pelos maiores craques da história do futebol.
Esse dinheiro, porém, não veio dos feitos nos gramados. Faiq é filho do príncipe Jefri Bolkiah e sobrinho de Hassanal Bolkiah, sultão de Brunei, uma pequena monarquia no Sudeste Asiático.
🔎“Sultão” é um título monárquico, parecido com “rei” em outras monarquias.
Dentro de campo, teve uma carreira discreta. Passou pelas categorias de base de Southampton, Chelsea e Leicester, estreou profissionalmente pelo Marítimo, de Portugal, e depois seguiu para o futebol tailandês. Bolkiah é um caso até exagerado de riqueza, mas não é o único jogador que entrou no futebol vindo de uma realidade financeira muito diferente daquela normalmente associada ao início da carreira de um atleta.
Confira outros nomes que também já tinham dinheiro, influência ou uma vida confortável muito antes de alcançarem o futebol profissional.
Al-Saadi Gaddafi levou o sobrenome até a Serie A
Filho de Muammar Gaddafi, ditador que governou a Líbia entre 1969 e 2011, Al-Saadi Gaddafi teve acesso a dinheiro e influência política muito antes de tentar uma carreira na Europa.
Al-Saadi atuou no futebol líbio e chegou à Serie A em 2003, contratado pelo Perugia. Depois ainda passou por Udinese e Sampdoria. A experiência, porém, praticamente não saiu do banco de reservas. Segundo o The Guardian, foram cerca de 25 minutos em campo somando suas passagens pela Itália. Pelo Perugia, também foi suspenso após testar positivo para nandrolona.
Diferentemente de Bolkiah, que passou anos nas categorias de base de clubes ingleses, a trajetória de Al-Saadi no futebol europeu sempre esteve cercada por questionamentos sobre quanto o poder da família havia pesado para que ele chegasse à principal divisão italiana. Hoje, aos 53 anos, ele está longe do futebol. Al-Saadi foi preso na Líbia após a queda do regime do pai em 2011, passou anos detido e foi libertado em 2021. Desde então, vive na Turquia, segundo registros mais recentes da ONU.

Saadi Gaddafi preso. (Foto por HAZEM TURKIA / ANADOLU AGENCY / ANADOLU VIA AFP)
Vialli cresceu em um castelo de 60 cômodos
A história de Gianluca Vialli seguiu o caminho oposto. A origem privilegiada virou apenas um detalhe diante da carreira construída pelo atacante.
Filho de um poderoso industrial, segundo o The Guardian, Vialli nasceu em Cremona, na Itália, e cresceu com quatro irmãos em uma propriedade histórica com cerca de 60 cômodos. O jogador contou que no início da carreira, alguns companheiros o viam como um “garoto mimado”, percepção que, segundo ele, mudou conforme mostrou comprometimento nos treinos.
A riqueza da família nunca precisou sustentar sua fama. Vialli virou ídolo da Sampdoria, conquistou o Campeonato Italiano, terminou a Serie A como artilheiro e mais tarde foi capitão da Juventus na conquista da Champions League de 1995/96. Também foi bicampeão do mundo pela Azurra em 86 e 90. Em 2023, faleceu aos 58 anos, após enfrentar um câncer no pâncreas.

Vialli foi um dos grandes ídolos da Sampdoria. (Foto por SIMONE ARVEDA / GETTY IMAGES EUROPE / GETTY IMAGES VIA AFP)
Bierhoff tinha uma carreira para seguir fora do futebol
Oliver Bierhoff também veio de uma família de empresários bem estabelecida na Alemanha. Seu pai, Rolf Bierhoff, ocupou um cargo de direção na RWE, gigante alemã do setor de energia.
O dinheiro, porém, não tornou seu início de carreira mais simples. Bierhoff passou por Bayer Uerdingen, Hamburgo e Borussia Mönchengladbach sem se firmar e chegou a pensar em abandonar o futebol para voltar aos estudos. Foi somente depois de passar pela Áustria e chegar à Itália que sua carreira mudou de patamar.
Na Udinese, virou artilheiro da Serie A com 27 gols na temporada 1997/98. Pela Alemanha, entrou para a história ao marcar os dois gols da vitória por 2 a 1 sobre a República Tcheca na final da Eurocopa de 1996, incluindo o gol de ouro que decidiu o título. Depois, ainda foi campeão italiano pelo Milan. Atualmente o ex-atacante é empresário, investidor e consultor, atuando como parceiro estratégico da gestora patrimonial FINVIA, consultor do New England Patriots, da NFL, e em outros projetos ligados ao esporte e aos negócios.

Em 2022, Bierhoff era diretor de seleções nacionais da Federação Alemã. (Foto: Ina FASSBENDER / AFP)
Menção honrosa: Mathieu Flamini
O ex-meia não entra exatamente na mesma lista, já que sua maior fortuna veio depois de se aposentar, mas não deixa de ser um baita exemplo de jogador que não enriqueceu dentro das quatro linhas.
Ex-Arsenal e Milan, Flamini cofundou a GFBiochemicals, empresa dedicada ao desenvolvimento de alternativas de origem vegetal para produtos derivados do petróleo. O negócio começou em 2010, enquanto ele ainda atuava profissionalmente e, durante anos, foi mantido praticamente em segredo até dos próprios companheiros.

Flamini e Ozil pelo Arsenal. (Imagem: Creative Commons)
Hoje, aposentado dos gramados, Flamini segue diretamente envolvido no negócio e atua como CEO da empresa, atualmente avaliada em 30 bilhões de euros (R$ 190 bi). Em seus mais de 16 anos de carreira, não chegou a 1% desse valor.
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