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Como funciona “app de relacionamento” do futebol, usado por mais de 800 clubes

TransferRoom conecta clubes e agentes, além de mostrar quem busca ou oferece jogadores

Gyokeres, atualmente no Arsenal, foi negociado do Coventry City para o Sporting por meio da plataforma. (Foto por CHRIS FOXWELL / PROSPORTSIMAGES / DPPI VIA AFP)

Mesmo com a janela de transferências fechada em boa parte do futebol mundial, as conversas para os próximos negócios não param. Na última terça (22) e nesta quarta-feira (23), mais de 200 dirigentes e representantes de clubes e agências foram reunidos em São Paulo pelo TransferRoom LIVE: Americas, evento de uma plataforma que funciona como uma espécie de “aplicativo de relacionamento” do mercado da bola.

A comparação ajuda a entender a proposta. Em vez de depender apenas de ligações, contatos pessoais e intermediários para descobrir oportunidades, clubes e agentes encontram em um mesmo ambiente informações sobre quem pretende contratar, quem está disponível para sair e quais equipes podem ter interesse em determinados jogadores.

Criado em 2017, o TransferRoom reúne atualmente mais de 800 clubes de cerca de 130 ligas e 600 agências ao redor do mundo. Segundo a própria empresa, a plataforma já participou de 10 mil negócios desde sua fundação.

Como funciona?

Os clubes podem informar na plataforma quais posições pretendem reforçar e também disponibilizar jogadores para venda ou empréstimo. Do outro lado, agentes conseguem apresentar atletas diretamente a dirigentes responsáveis pelas decisões esportivas.

Além disso, o sistema reúne dados sobre disponibilidade de jogadores, necessidades dos clubes, desempenho esportivo e estimativas de valor de transferência. A ideia é diminuir uma das dificuldades históricas do mercado: descobrir rapidamente quem realmente está comprando, vendendo ou disposto a negociar.

O serviço também promove encontros presenciais. No evento realizado nesta semana no JW Marriott, em São Paulo, a programação foi dividida em quatro blocos de reuniões. Cada encontro entre representantes de clubes e agentes tinha apenas 15 minutos reservados na agenda.

É nesse período que as partes podem apresentar jogadores, descobrir demandas e abrir uma negociação. Isso não significa que uma transferência necessariamente seja fechada em 15 minutos. O encontro serve principalmente para colocar diretamente em contato pessoas que podem levar a conversa adiante.

Gyökeres é um dos casos que passaram pela plataforma

Um dos exemplos mais conhecidos envolve Viktor Gyökeres, do Arsenal. Antes de se destacar pelo Sporting na temporada 24/25, quando marcou 52 gols , o atacante defendia o Coventry City, da Inglaterra.

Segundo o TransferRoom, o então diretor de futebol do Sporting, Hugo Viana, utilizou a plataforma para manifestar diretamente ao Coventry o interesse pelo sueco. O contato abriu as conversas que terminaram com a transferência do atacante para Portugal em 2023.

Clubes brasileiros também estão entrando na rede

O São Paulo tornou-se recentemente um dos brasileiros presentes no TransferRoom. Além do tricolor paulista, Flamengo, Grêmio, Athletico-PR e Avaí também utilizam o serviço. Outros clubes do Brasil também já participaram de eventos da plataforma.

Mais do que substituir as negociações tradicionais, o modelo funciona como uma forma de encurtar o caminho entre quem quer contratar e quem tem um jogador para negociar.

Em um mercado que movimentou US$ 13,1 bilhões apenas em transferências internacionais em 2025, segundo dados citados pelo TransferRoom, descobrir rapidamente quem está disposto a fazer negócio virou também uma vantagem competitiva.

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