O Manchester City foi considerado culpado em 114 das 115 acusações apresentadas pela Premier League por violações de regras financeiras, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (25). A decisão, revelada inicialmente pelo The Athletic, ainda não resultou na definição de punições. O clube deve recorrer.
As acusações foram apresentadas pela Premier League em 2023, após uma investigação sobre possíveis irregularidades cometidas entre 2009 e 2018. O caso começou a ser analisado por uma comissão independente em setembro de 2024.
O processo envolve acusações de fornecimento de informações financeiras imprecisas, omissão de detalhes sobre pagamentos a jogadores e treinadores, descumprimento das regras de sustentabilidade financeira e falta de cooperação com a investigação.
Desde o início do caso, o Manchester City nega as acusações. Em 2023, o clube afirmou ter um “conjunto abrangente de provas irrefutáveis” para sustentar sua defesa.
Nesta sexta-feira, um porta-voz do City reiterou a posição do clube.
“O processo da Premier League continua em andamento, com elementos significativos ainda a serem concluídos e sujeito a estrita confidencialidade. Como tal, a posição do Manchester City permanece consistente com a declaração do clube de fevereiro de 2023.”
O City também afirma ter respeitado o devido processo ao longo dos últimos oito anos e espera que a direção e os executivos da Premier League atuem de forma independente e imparcial.
Parte das suspeitas envolvendo o clube veio à tona em 2018, quando a revista alemã Der Spiegel publicou documentos vazados. Entre os indícios apresentados estava a suspeita de que o City teria inflado receitas de patrocínio da Etihad e da Etisalat ao registrar investimentos diretos do Abu Dhabi United Group como receitas provenientes desses acordos.
Outros documentos apontavam para supostos pagamentos não declarados ao ex-técnico Roberto Mancini, que teriam sido feitos por meio de taxas de consultoria de um clube de Abu Dhabi.
Em 2020, a Uefa suspendeu o Manchester City por dois anos das competições europeias e aplicou uma multa ao clube por violações das regras de Fair Play Financeiro. Posteriormente, porém, a suspensão foi anulada pelo Tribunal Arbitral do Esporte.
As punições no processo da Premier League ainda não foram definidas. Entre as possíveis sanções estão uma grande perda de pontos e até a expulsão da competição. Na temporada 2023/24, Everton e Nottingham Forest tiveram pontos descontados por violações individuais das regras de lucro e sustentabilidade.
Uma eventual punição mais severa também poderia gerar dúvidas sobre o futuro de jogadores do elenco, entre eles Erling Haaland, além de abrir caminho para pedidos de compensação e questionamentos de outros clubes sobre títulos conquistados pelo City.
Sob o controle do xeque Mansour, cujo Abu Dhabi United Group comprou o clube em 2008, o Manchester City conquistou oito títulos da Premier League, uma Liga dos Campeões e outros troféus nos últimos 15 anos.
Os novos desdobramentos acontecem poucos meses depois da saída de Pep Guardiola, que deixou o clube após uma década. Durante o período em que esteve no City, o treinador defendeu a posição do clube sobre as acusações, mas chegou a afirmar que poderia deixar o cargo caso descobrisse que havia sido enganado.
Mesmo sem Guardiola, o Manchester City lidera a Premier League após um início perfeito sob o comando de Enzo Maresca. O clube investiu cerca de £ 460 milhões (US$ 608 milhões) em reforços, entre eles Enzo Fernández, Elliott Anderson e Ayyoub Bouaddi.
Com informações da AFP.
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