O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, voltou a criticar a gestão de Gianni Infantino nesta terça-feira (29), durante a assembleia geral da European Football Clubs (EFC), em Copenhague. Sem citar o presidente da Fifa nominalmente em parte do discurso, o dirigente afirmou que “o futebol não precisa de imperadores”.
A fala foi direcionada ao projeto FIFA Forward Enterprise, iniciativa defendida por Infantino para atrair investimento privado aos direitos comerciais das competições da entidade. A proposta previa a criação de uma subsidiária comercial e chegou a discutir a venda de uma participação de 20% a investidores, mas acabou abandonada após resistência de confederações e federações.
Continuemos nos desenvolvendo, inovando e tornando nossos clubes e competições ainda mais eficientes, mas nunca nos esqueçamos de que o futebol é maior do que aqueles que o dirigem. Somos seus guardiões, não seus proprietários. Ninguém tem o direito de vender seu futuro, afirmou Ceferin.
Na sequência, Ceferin comparou Infantino ao imperador do conto “A Roupa Nova do Rei”, de Hans Christian Andersen. Na história, um imperador é enganado e convencido de que veste uma roupa especial, invisível apenas para pessoas incapazes, enquanto todos ao redor fingem enxergar o traje para não contrariá-lo. A farsa só termina quando uma criança diz que o imperador está nu.
Ao usar a referência, Ceferin sugeriu que dirigentes do futebol estariam aceitando ou evitando confrontar decisões de Infantino, mesmo diante de críticas ao projeto de abertura da Fifa a investidores privados.
Todos nós conhecemos essa história. Um imperador está convencido de que veste um traje magnífico, um traje que, segundo ele, apenas os tolos ou os incapazes não conseguem ver. Sua corte finge acreditar nessa história até que uma criança diz em voz alta o que todos podem ver: “o imperador está nu”
No fim de agosto, a entidade europeia buscou documentos relacionados ao projeto e abriu caminho para uma denúncia contra Infantino por suposta “gestão desleal”. A Fifa, por sua vez, acusou a Uefa de promover uma “campanha de desinformação” sobre a proposta e defendeu que estudar alternativas de investimento fazia parte das responsabilidades da gestão.
Infantino não participou da assembleia em Copenhague e a Fifa foi representada pelo secretário-geral Mattias Grafström.
Com informações da AFP.
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