Santos e São Paulo se enfrentam nesta sexta-feira (2), no MorumBIS, em mais um capítulo do San-São.
O nome do clássico é usado há décadas sem que muita gente saiba que ele teve um autor, e que esse autor também batizou os outros três grandes confrontos do estado.
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Quem foi Thomaz Mazzoni
Ítalo-brasileiro radicado em São Paulo, Mazzoni comandou a editoria de esportes de A Gazeta Esportiva nas décadas de 1930 e 1940, jornal fundado por Cásper Líbero.
Ele mudou a forma como a imprensa paulista escrevia sobre futebol, buscando uma linguagem coloquial e mais acessível ao torcedor, em uma época em que a cobertura esportiva ainda imitava o tom formal dos cadernos de política.

Emílio Colella (direita) entrega um troféu a Thomaz Mazzoni (esquerda) (Foto: Arquivo ACEESP)
Ao lado de Mário Filho, que dá nome ao Maracanã, Mazzoni é apontado como um dos patronos da crônica esportiva brasileira.
San-São
O apelido do clássico entre Santos e São Paulo foi o mais direto de todos.
Mazzoni juntou as primeiras sílabas dos dois clubes e chegou a uma palavra que soava familiar: Sansão, o personagem bíblico conhecido pela força descomunal.

Santos x São Paulo válido pelo Brasileirão 2018 (Foto: Creative Commons)
O confronto nasceu na década de 1930 e ganhou outra dimensão com o surgimento de Pelé no Santos e, mais tarde, com o crescimento do São Paulo nos anos 1980 e 1990.
Majestoso
O nome do clássico entre Corinthians e São Paulo surgiu em 1942, depois de um 3 a 3 no Pacaembu que levou cerca de 70 mil pessoas ao estádio.
No dia seguinte, A Gazeta Esportiva estampou a manchete “São Paulo x Corinthians no Choque Majestoso”.

São Paulo x Corinthians válido pelo Brasileirão 2022 (Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net)
A segunda palavra pegou e virou o nome definitivo.
Choque-Rei
Palmeiras e São Paulo se enfrentaram pela primeira vez em 1930, pelo Campeonato Paulista, em um empate por 2 a 2.
O apelido, porém, só apareceu na década de 1940, quando os dois clubes dominaram o estado.

Palmeiras x São Paulo válido pela Copa do Brasil 2023 (Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net)
Entre 1942 e 1950, dividiram os nove títulos paulistas disputados, cinco do São Paulo e quatro do Palmeiras. Para Mazzoni, era o choque entre os reis do futebol paulista.
Derby
O mais antigo dos quatro clássicos também recebeu o apelido mais internacional.
Corinthians e Palmeiras, então Palestra Itália, se enfrentaram pela primeira vez em 6 de maio de 1917, com vitória palestrina por 3 a 0 e três gols de Caetano Izzo. O Corinthians vinha de 25 jogos de invencibilidade.

Corinthians x Palmeiras válido pelo Paulistão 2025 (Foto: Rodrigo Coca/ Agência Corinthians)
Mazzoni batizou o confronto de Derby, com grafia em inglês mesmo, em referência ao Derby de Epsom, a corrida de cavalos mais tradicional do mundo, disputada desde 1780.
A ideia era simples: no vocabulário esportivo da época, Derby significava o principal, o maior, o mais importante.
Apelidos que ele deu aos times
A criatividade de Mazzoni não parou nos clássicos.
Foi dele o apelido de Timão para o Corinthians, Clube da Fé para o São Paulo, Campeoníssimo para o Palmeiras e Moleque Travesso para o Juventus da Mooca.
Segundo o próprio clube, o jornalista ainda batizou o Nhô Quim, mascote do XV de Piracicaba.
Nomes espalhados pelo Brasil
A lógica que Mazzoni usou no San-São se repetiu em várias partes do país.
No Rio Grande do Sul nasceu o Gre-Nal, entre Grêmio e Internacional. Na Bahia, o Ba-Vi entre Bahia e Vitória, também chamado de Clássico dos Gols. No Paraná, o Atletiba, entre Athletico e Coritiba, e o Paratiba, entre Paraná e Coritiba.
No Rio de Janeiro, o Fla-Flu foi popularizado por Mário Filho nos anos 1930 e eternizado pelo irmão dele, Nelson Rodrigues, autor da frase de que o clássico surgiu quarenta minutos antes do nada.
Nem todos têm autor conhecido, mas quase todos seguem o mesmo princípio que Mazzoni defendia: o apelido precisa ser curto, sonoro e fácil de repetir na boca do torcedor.
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