Muito antes de se tornar uma das principais promessas do basquete dos Estados Unidos e ser escolhido pelo Memphis Grizzlies com a terceira escolha do Draft da NBA de 2026, Cameron Boozer já fazia parte de uma história que mudou a vida de sua família.
Ele e o irmão gêmeo, Cayden, nasceram em 2007 após um processo de fertilização in vitro que buscava encontrar um doador compatível com Carmani, irmão mais velho dos dois, diagnosticado com anemia falciforme.
Carmani é o primeiro filho do ex-jogador da NBA Carlos Boozer com CeCe Boozer. A doença foi identificada ainda durante a gestação e, nos primeiros meses de vida, ele começou a apresentar sintomas. A anemia falciforme é uma doença genética que altera os glóbulos vermelhos e pode provocar crises de dor, infecções e outras complicações graves.

Carmani Boozer. (Imagem: Arquivo pessoal)
Na busca por uma cura, os médicos indicaram um transplante de células-tronco, mas havia um problema. Nem Carlos nem CeCe eram doadores compatíveis com Carmani. A alternativa encontrada foi tentar ter outro filho que pudesse ajudar no tratamento, mas como uma gravidez natural não garantiria a compatibilidade genética, o casal decidiu recorrer à fertilização in vitro, que permitiria analisar os embriões antes da implantação.
Ao todo, 26 óvulos foram fertilizados, dando origem a dez embriões geneticamente compatíveis com Carmani. Destes, apenas dois também estavam livres da doença e os médicos decidiram implantar ambos no útero de CeCe para aumentar as chances de gravidez. Os dois se desenvolveram e, em julho de 2007, nasceram os gêmeos.

Nascimento dos gêmeos. (Imagem: Arquivo pessoal)
O nascimento dos gêmeos e o transplante
Cameron e Cayden eram compatíveis com o irmão mais velho. Após o nascimento, células-tronco presentes no sangue de seus cordões umbilicais foram utilizadas no transplante de Carmani. Antes do procedimento, o menino passou por quimioterapia para preparar o organismo para receber as novas células.
O tratamento foi realizado no então Miami Children’s Hospital, atual Nicklaus Children’s Hospital. Carmani permaneceu internado por cerca de 40 dias e deixou o hospital após apresentar evolução no processo de recuperação. Meses depois, os médicos o declararam curado da doença.
Filho de peixe, peixinho é
Não contentes em salvarem o irmão, Cameron e Cayden herdaram o dom o do pai e seguiram os passos de Carlos, que disputou 13 temporadas na NBA e foi duas vezes All-Star. Os gêmeos jogaram juntos na Christopher Columbus High School, em Miami, onde conquistaram quatro títulos estaduais consecutivos e o título nacional do Chipotle Nationals em 2025.
Depois escolheram Duke, uma das universidades mais tradicionais e vitoriosas do basquete universitário dos Estados Unidos, onde Carlos Boozer, também jogou. Apesar do talento dos dois, Cameron foi quem mais se destacou, passando a ser considerado um dos principais jogadores de sua geração nos Estados Unidos.

Cameron e Cayden jogando por Duke. (Imagem: Redes Sociais)
Em sua única temporada pelos Blue Devils (25/26), o ala-pivô teve médias de 22,5 pontos, 10,2 rebotes e 4,1 assistências. Ele terminou o ano como Jogador Nacional do Ano por unanimidade, além de conquistar o Naismith Trophy e outros dos principais prêmios individuais do basquete universitário.
Em junho de 2026, o Memphis Grizzlies utilizou a terceira escolha geral para selecioná-lo, atrás apenas de AJ Dybantsa, escolhido pelo Washington Wizards, e Darryn Peterson, selecionado pelo Utah Jazz.
Cayden tomou outro caminho. O armador decidiu permanecer em Duke para a temporada 2026/27 depois de disputar 38 partidas em seu primeiro ano universitário, com médias de 7,7 pontos, 3 assistências e 2,3 rebotes.
Quase duas décadas depois do transplante, os três irmãos passaram a usar a própria história para chamar atenção para a doação de células-tronco. Em junho de 2026, Cameron, Cayden e Carmani anunciaram uma parceria com a NMDP (National Marrow Donor Program), organização sem fins lucrativos especializada em terapia celular e transplantes, para incentivar jovens a entrarem no cadastro de potenciais doadores.
Hoje, Carmani vive bem, é saudável, e tem o privilégio de acompanhar a carreira dos irmãos, que sempre serão seus grandes heróis.
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