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Boca Jrs. aposta em técnica especial para ter Paredes contra o Vasco

Camisa 5 passou por procedimento que utiliza o próprio sangue para estimular recuperação de lesão antes da decisão

Paredes sofreu uma lesão no dia 9 de outubro, durante o empate com o Instituto Córdoba. (Foto por HERNAN CORTEZ / GETTY IMAGES SOUTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP)

Há apenas 11 dias, Leandro Paredes era considerado desfalque certo do Boca Juniors para os dois confrontos contra o Vasco, pela semifinal da Copa Sul-Americana. Agora, o volante argentino está relacionado para a partida decisiva desta terça-feira (20), no Maracanã, após passar por um tratamento com plasma rico em plaquetas (PRP), uma técnica especial que utiliza o próprio sangue do paciente para tentar acelerar a recuperação de tecidos lesionados.

Campeão do mundo com a Argentina em 2022, Paredes sofreu uma lesão muscular de grau 2 na parte posterior da coxa direita no dia 9 de outubro, durante o empate com o Instituto Córdoba, pelo Campeonato Argentino. O problema costuma exigir algumas semanas de recuperação, mas o camisa 5 voltou a treinar com bola e se colocou à disposição do técnico Rodolfo Arruabarrena. Apesar da evolução, ainda não há garantia de que consiga atuar sem limitações físicas.

Segundo a imprensa argentina, Paredes já havia recorrido ao mesmo procedimento antes da Copa do Mundo de 2026, quando sofreu uma lesão semelhante.

Como funciona o tratamento com plasma rico em plaquetas?

Primeiro, uma pequena quantidade de sangue é retirada do paciente e colocada em uma centrífuga, máquina que gira em alta velocidade para separar os componentes sanguíneos. Nesse processo, os médicos conseguem obter um plasma com concentração de plaquetas superior à encontrada normalmente no sangue.

As plaquetas, que são responsáveis principalmente pela coagulação, também liberam substâncias que participam da cicatrização e da reparação dos tecidos. Depois de preparado, o plasma é injetado na região lesionada, para favorecer a recuperação muscular.

Por utilizar material retirado do próprio paciente, o procedimento dispensa doadores. Ainda assim, a aplicação precisa ser acompanhada por profissionais de saúde e não substitui a fisioterapia, o fortalecimento muscular e as demais etapas da reabilitação.

Realmente acelera a recuperação?

Mesmo utilizado no esporte profissional, o PRP ainda divide opiniões entre pesquisadores. A revista científica Sports Medicine – Open encontrou resultados favoráveis ao uso do PRP em lesões musculares. Após analisar nove estudos clínicos, com 474 participantes, os pesquisadores observaram que pacientes submetidos ao procedimento retornaram às atividades esportivas, em média, 7,5 dias antes daqueles que receberam tratamentos convencionais ou placebo. Os autores, porém, alertaram que a qualidade das evidências ainda é limitada e que novos estudos são necessários para confirmar os benefícios.

Já a segunda pesquisa, publicada na revista Orthopaedic Journal of Sports Medicine, apresentou resultados diferentes. Conduzido por pesquisadores ligados à Santa Casa de São Paulo, o trabalho analisou oito revisões sistemáticas. Os cientistas identificaram uma redução relativa de 16% no risco de novas lesões musculares, mas não encontraram uma diminuição estatisticamente significativa no tempo de retorno ao esporte.

Embora os resultados não sejam iguais, as duas pesquisas apontam para a necessidade de cautela na utilização do PRP. Os estudos analisaram conjuntos diferentes de evidências, e ainda não existe consenso científico de que o procedimento acelere a recuperação de todos os tipos de lesão muscular.

Sem o argentino no jogo de ida, o Boca perdeu por 1 a 0 na Bombonera e agora precisa vencer no Maracanã para seguir vivo. Uma vitória por um gol leva a disputa para os pênaltis, enquanto uma vantagem de dois ou mais gols garante a classificação direta. Para o Vasco, basta um empate para chegar à final.

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