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Por que a altitude torna o GP do México tão difícil para os pilotos?

Circuito mais alto da F1 reduz a aderência dos carros, dificulta a refrigeração e pede mais cuidados durante a corrida

A edição deste domingo (01) do GP do México será a 26ª na história do país (Foto: GERARDO VIEYRA/NURPHOTO/AFP)

O GP da Cidade do México será um dos desafios mais particulares da Fórmula 1. Localizado a cerca de 2.250 metros acima do nível do mar, o Autódromo Hermanos Rodríguez é o circuito mais alto do calendário, onde a menor densidade do ar altera o comportamento dos carros e exige adaptações de pilotos e equipes.

Nessa altitude, o ar é aproximadamente 20% menos denso do que ao nível do mar, reduzindo a pressão aerodinâmica responsável por manter os carros próximos ao asfalto. Mesmo utilizando configurações de alta carga aerodinâmica, as equipes encontram dificuldades para compensar a perda de aderência, principalmente nas curvas, onde os pilotos precisam lidar com carros que deslizam com mais facilidade.

Nas retas, por outro lado, a menor resistência do ar permite atingir maiores velocidades. O problema aparece na hora de frear, já que os carros chegam rapidamente aos pontos de frenagem e os sistemas de freios enfrentam condições menos favoráveis de refrigeração. Isso também afeta o motor e os componentes elétricos, que precisam trabalhar dentro dos limites de temperatura durante toda a prova.

A situação fica ainda mais tensa quando um piloto acompanha outro de perto. O fluxo de ar prejudicado pelo carro à frente reduz a capacidade de resfriamento e pode obrigar o competidor a diminuir o ritmo ou aumentar a distância para evitar o superaquecimento.

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O que os pilotos dizem sobre isso?

A dificuldade de pilotar no México já foi comentada por diversos nomes da Fórmula 1. Em entrevistas e coletivas realizadas entre 2024 e 2026, os pilotos relataram problemas de aderência, frenagem, refrigeração e até efeitos físicos da altitude.

Charles Leclerc (2024): “Temos muito menos pressão aerodinâmica do que em uma pista ao nível do mar, então o carro desliza muito mais. Também é muito mais difícil resfriar os freios e o motor. Estamos usando praticamente o máximo de pressão aerodinâmica possível, mas acabamos com a mesma aderência de Monza, onde usamos o mínimo. É uma sensação estranha para quem pilota aqui pela primeira vez.”

Lewis Hamilton (2025): “É um circuito realmente difícil. Todos nós estamos deslizando bastante, porque a aderência é muito baixa devido à altitude. Não é nada fácil conseguir juntar uma volta inteira.”

Lando Norris (2025): “É uma pista complicada por causa da pressão aerodinâmica e da aderência. Temos velocidades muito altas no fim das retas e zonas de frenagem enormes.”

Sergio Pérez (2026): “Acho que todos chegamos cedo. No primeiro ou segundo dia, muita gente se sente mal ou apresenta alguns sintomas. Perdemos muita pressão aerodinâmica por causa da altitude. Se fosse um circuito mais exigente fisicamente, seria muito, muito difícil. Nesse sentido, temos sorte.”

Para Sergio, anfitrião do GP, a principal preocupação é evitar que o carro deslize excessivamente. Em entrevista publicada pela Fórmula 1 antes da edição de 2026, o mexicano afirmou que a altitude exige atenção constante ao comportamento dos pneus e às temperaturas dos componentes.

“Tudo está funcionando no limite absoluto”, disse Pérez, ao mencionar o esforço exigido dos pneus, freios e motor. O piloto também ressaltou que minimizar os deslizamentos é fundamental para conseguir uma boa volta e manter um ritmo consistente.

Outro cuidado apontado pelos competidores é o gerenciamento das temperaturas durante a corrida. Em 2025, Leclerc destacou a importância da técnica conhecida como lift and coast, na qual o piloto tira o pé do acelerador antes do ponto habitual de frenagem e deixa o carro avançar por inércia durante alguns instantes.

Segundo ele, a prática costuma ter grande importância no México, especialmente para quem não está na liderança. Isso porque correr com a pista livre à frente facilita a refrigeração do carro, enquanto acompanhar outros competidores pode exigir uma administração mais cuidadosa das temperaturas.

Asfalto é outro desafio para 2026

Para a edição de 2026, marcada para domingo (1º), às 17h, os pilotos também precisarão estar adaptados às mudanças na superfície do Autódromo Hermanos Rodríguez. Parte da pista passou por um recapeamento, deixando o asfalto mais liso e aumentando as incertezas sobre o comportamento dos pneus ao longo do fim de semana.

Segundo a Pirelli, a pista costuma ganhar aderência conforme os carros completam voltas e depositam borracha sobre o asfalto. Com o recapeamento, essa mudança pode ser ainda mais significativa entre os treinos e a corrida de domingo (1º), influenciando a escolha dos pneus e as estratégias das equipes.

A fabricante também alertou para o risco de travamento das rodas nas frenagens mais fortes, especialmente na primeira curva, localizada ao final da longa reta principal. Com menos aderência disponível e velocidades elevadas, os pilotos terão de administrar com cuidado o momento de frear para evitar erros e danos aos pneus.

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