A escritora sul-africana Zukiswa Wanner anunciou que não se fotografará mais com estátuas de escritores em países que apoiam Israel. A decisão foi influenciada por sua experiência na Palestina e culminou na devolução da medalha do Instituto Goethe, recebida em 2020.
Wanner, que atualmente reside em Nairóbi, no Quênia, participou recentemente da Bienal do Livro no Rio de Janeiro, onde discutiu temas como mobilidade social e racismo. Em sua trajetória, a autora tem explorado as tensões sociais em suas obras, como em “Madames” e “Matar, casar, amar”, que abordam a dinâmica pós-apartheid.
A decisão de Wanner de não se associar a instituições que apoiam Israel reflete sua indignação com a situação dos palestinos. “Se não reconhecem a humanidade dos palestinos, não sou quem vai legitimar essas plataformas”, afirmou. A escritora espera que sua postura inspire outros artistas a se posicionarem contra o que considera injusto.
Além de sua crítica social, Wanner destaca a evolução da literatura africana, observando que o público leitor está se diversificando. Hoje, as mulheres negras são as principais compradoras de literatura na África do Sul, um reflexo das mudanças nas dinâmicas sociais e culturais do continente.
Wanner também comentou sobre a recepção de seu livro “Relato da vida palestina sob estado de apartheid”, que agora ganha nova urgência devido ao contexto atual de conflitos no Oriente Médio. A autora acredita que a literatura pode ser uma ferramenta poderosa para conscientizar e mobilizar a sociedade sobre questões sociais e políticas.
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