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Mudança no Irã deve ser interna e direcionada para o progresso social

Tensão aumenta no Oriente Médio com a possibilidade de intervenção militar no Irã, enquanto especialistas alertam para os riscos de repetir erros do passado.

Ilustração de Angelo Abu para coluna de João Pereira Coutinho (Foto: Angelo Abu/Folhapress)
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Um novo clima de tensão se instala no Oriente Médio, com a possibilidade de uma intervenção militar no Irã. Especialistas alertam que o neoconservadorismo, que já causou estragos em intervenções passadas, pode estar ressurgindo. O foco atual é impedir que o Irã desenvolva armas nucleares, mas a eficácia de tais ações é questionada.

Historicamente, as intervenções dos EUA na região, como no Afeganistão e no Iraque, resultaram em consequências desastrosas. O historiador Fawaz Gerges, em seu livro “What Really Went Wrong”, analisa os fracassos democráticos no Oriente Médio, destacando a influência direta dos EUA. Ele argumenta que a ação americana muitas vezes gerou mais problemas do que soluções.

A história do Irã é emblemática. Após a Segunda Guerra Mundial, o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh tentou implementar reformas democráticas, mas foi deposto em um golpe de Estado orquestrado pela CIA em 1953. A partir daí, o apoio dos EUA ao regime autoritário do xá Reza Pahlavi levou a um aumento da repressão e, eventualmente, à Revolução Islâmica de 1979.

Atualmente, a discussão sobre uma possível ação militar contra o Irã levanta preocupações sobre a repetição dos erros do passado. A mudança de regime, embora desejável, deve ser um processo interno, e não imposto externamente. A história mostra que intervenções militares frequentemente resultam em instabilidade e violência.

O neoconservadorismo, que emergiu no início do século 21, promoveu a ideia de que a democracia poderia ser imposta pela força. No entanto, essa abordagem falhou em compreender as complexidades regionais. O resultado foi um Irã fortalecido, um Iraque mergulhado em guerra civil e um Afeganistão sob o controle do Talibã.

A tarefa de lidar com a ameaça nuclear iraniana é complexa. Impedir que o Irã desenvolva armas nucleares é um objetivo ambicioso, mas a história sugere que a solução deve vir de dentro do país. A experiência passada indica que a intervenção externa pode agravar ainda mais a situação.

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