A África enfrenta desafios crescentes em sua mobilidade urbana, à medida que a urbanização avança rapidamente. Entre 1990 e 2020, a proporção de habitantes urbanos saltou de 28% para 44%. Projeções da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico indicam que até 2050, a população urbana do continente pode chegar a 1,4 bilhão de pessoas. No entanto, as redes de transporte público não têm acompanhado esse crescimento, resultando em longos engarrafamentos e dependência de táxis e minibuses.
Corresponsais do *Guardian* em Nairobi, Joanesburgo e Abidjão relatam que os deslocamentos diários tornaram-se cada vez mais difíceis. Em várias metrópoles, é comum enfrentar horas de tráfego intenso, refletindo a falta de suporte público adequado. O professor Mfaniseni Sihlongonyane, da Universidade de Witwatersrand, explica que essa situação é resultado de um planejamento colonial que fragmentou as áreas urbanas, deixando o transporte formal destinado principalmente a regiões privilegiadas.
Desafios do Transporte Público
Apesar de algumas cidades contarem com sistemas de transporte como trens leves e redes de ônibus, muitos moradores dependem de minibuses privados. Essa dependência é um reflexo das limitações do transporte público, que não consegue atender à demanda crescente. As histórias de moradores revelam um cotidiano marcado por deslocamentos estressantes e ineficientes, que impactam a qualidade de vida nas cidades.
Os relatos coletados pelos correspondentes destacam a luta diária dos cidadãos. Em Nairobi, por exemplo, o congestionamento é uma constante, enquanto em Abidjão, a falta de opções de transporte público acessíveis agrava a situação. A urbanização acelerada, sem o devido planejamento, gera um cenário em que cada dia se torna uma luta para os trabalhadores que dependem do transporte para chegar ao trabalho.
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