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TotalEnergies é considerada culpada de greenwashing

Justiça de Paris condena TotalEnergies por greenwashing; ordem exige remoção de alegações enganosas e multa de 8 mil euros por dano moral às ONGs

A TotalEnergies petrol station in Handeni Tanga, Tanzania. Image by Praygod mwanga via Wikimedia Commons (CCBY4.0).
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O tribunal de Paris considerou a TotalEnergies culpada de práticas de greenwashing, após verificar que a empresa tería superestimado seus compromissos climáticos e seu papel na transição energética. A decisão foi anunciada na semana passada e envolve a campanha de comunicação associada à mudança de nome de Total para TotalEnergies em 2021.

Segundo a sentença, as afirmações de que a empresa contribuiria para a neutralidade de carbono até 2050 e seria “grande atuante na transição energética” são enganosas. A empresa foi instruída a retirar essas promessas de seu site e a exibir a decisão de forma proeminente por seis meses. A multa é de 10 mil euros diários apenas em caso de atraso.

As organizações não governamentais Greenpeace France, Friends of the Earth France e Notre Affaire à Tous, apoiadas pela ClientEarth, ingressaram com a ação em 2022. Elas apontaram que, pese aos discursos, a TotalEnergies mantém novos projetos de combustível fóssil em vários países, o que contradiz seus compromissos públicos.

Detalhes da decisão

O juiz considerou que as comunicações sobre gás fóssil e biocombustíveis não estavam diretamente relacionadas à venda a consumidores e não configuraram prática comercial enganosa, conforme o veredito. Ainda assim, a corte considerou enganosa a ambição de neutralidade de carbono 2050 e o papel de destaque na transição, exigindo retratação.

A TotalEnergies informou, por meio de pronunciamento, que substituiremos os parágrafos contestados por uma descrição factual do progresso da estratégia multienergia. A empresa confirmou ainda não pretendendo recorrer da decisão.

TotalEnergies não recebeu multas financeiras pela acusação principal, mas pagará o dano moral de 8 mil euros aos três NGOs, além de custear seus honorários legais, conforme a decisão. O veredito pode influenciar outros casos de greenwashing em curso, como ações contra outras companhias do setor.

Contexto e impactos

Especialistas afirmam que o caso sinaliza um precedente importante para fiscalização de campanhas de comunicação corporativa no setor de energia. Sindicatos e organizações ambientais aguardam desdobramentos de ações semelhantes em diferentes jurisdições. A decisão é vista como um alerta para empresas que combinam promessas de sustentabilidade com expansão de combustíveis fósseis.

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