Mais de 1.500 migrantes morreram ou desapareceram no Mediterrâneo central até o dia 8 de novembro de 2025. O dado foi divulgado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), que monitora a situação desde 2014. Um recente naufrágio próximo à Líbia, que resultou na perda de 40 vidas, contribuiu para essa trágica contagem.
As ONGs de resgate, que já salvaram cerca de 175 mil vidas ao longo dos anos, enfrentam um cenário cada vez mais hostil. As políticas da União Europeia e as legislações de países como a Itália dificultam suas operações, levando a uma crescente criminalização das atividades humanitárias. O decreto Piantedosi, em vigor na Itália, exige que as ONGs solicitem autorização prévia para realizar operações de resgate, limitando sua capacidade de agir rapidamente.
Aumento da Violência
Além das restrições legais, as ONGs também relatam um aumento da violência por parte da Guarda Costeira da Líbia. Recentemente, houve ataques a navios de resgate, como o caso em que uma patrulha líbia disparou contra o Ocean Viking, um barco operado pela ONG SOS Mediterranée. A Líbia é considerada um dos países mais perigosos para migrantes, onde ocorrem violações graves dos direitos humanos.
A OIM destaca a necessidade urgente de uma cooperação regional mais robusta e a criação de rotas seguras para os migrantes. Em 2023, a UE registrou 152 mil entradas irregulares, uma queda de 22% em relação ao ano anterior. No entanto, a rota do Mediterrâneo central continua a ser a mais utilizada, representando 40% das entradas irregulares.
Desafios para as ONGs
As restrições impostas pelo governo italiano, como a exigência de que as ONGs operem apenas em portos designados, têm colocado em risco a vida de muitos migrantes, que frequentemente precisam de assistência médica urgente. Médicos Sem Fronteiras, uma das principais ONGs atuantes na região, anunciou recentemente seu retorno ao mar com um novo barco, após a suspensão de suas atividades anteriores.
A crescente criminalização das operações de resgate é vista como uma tentativa de deslegitimar o trabalho humanitário. Organizações de direitos humanos pedem mudanças nas legislações que penalizam a ajuda humanitária, argumentando que é necessário garantir a proteção dos que salvam vidas no mar.
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