Andréi Kótov, fundador da agência de viagens Men Travel, foi declarado culpado por um tribunal de Moscou, quase um ano após seu suicídio em prisão preventiva. A decisão, anunciada nesta quarta-feira, 14 de novembro de 2025, envolve acusações de fundar uma organização extremista e filmar menores para pornografia. O julgamento ocorreu a portas fechadas e manteve acusações mesmo após a morte do empresário.
Kótov, de 48 anos, foi detido em 30 de novembro de 2024, em um contexto onde o movimento LGTBI foi classificado como extremista pela Justiça russa em 2023. Essa definição criminaliza manifestações públicas da comunidade, incluindo a defesa de seus direitos. O empresário foi acusado de “fundar uma organização extremista” e “participar dela”, além de supostas violações envolvendo menores. Ele sempre negou as acusações.
Detalhes do Julgamento
O tribunal de Golovinski, em Moscou, manteve o processo mesmo após a morte de Kótov. O Comitê de Investigação da Rússia alegou que a agência de Kótov “gerava uma imagem falsa sobre a instituição do casamento” e “socorria os valores familiares tradicionais”. Durante sua detenção, Kótov denunciou ter sido torturado, afirmando que foi obrigado a se incriminar. A organização Gulagu.net relatou que as condições prisionais foram criadas para pressioná-lo.
As evidências apresentadas no julgamento foram questionadas. Testemunhas não compareceram, e uma delas foi descrita como “um títere” das autoridades, incapaz de fornecer informações coerentes. O caso reflete a repressão crescente contra a comunidade LGTBI na Rússia, onde a Justiça atua sob forte influência do Kremlin, dificultando a defesa dos direitos humanos.
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