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Raoni pede continuidade da luta ao encerrar a Cúpula dos Povos

Cúpula dos Povos encerra em Belém com carta que critica falsas soluções, cobra participação dos povos e fim de combustíveis fósseis; cerca de setenta mil acompanharam

O cacique Raoni Metuktire. Foto: Pablo Porciuncula/AFP
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A Cúpula dos Povos, evento paralelo à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), encerrou-se neste domingo, 16, em Belém, com um forte apelo do cacique Raoni Metuktire. O líder indígena destacou a importância da luta contínua pela defesa da Terra, enfatizando a necessidade de combater as guerras e a destruição ambiental que afetam os povos originários.

Durante a cúpula, Raoni lembrou que há décadas alerta sobre as mudanças climáticas e a degradação dos modos de vida tradicionais. “Peço a todos que possamos dar continuidade a essa missão de defender a vida da Terra”, afirmou. O evento contou com a participação de cerca de 70 mil pessoas, representando uma diversidade de movimentos sociais, indígenas e comunidades tradicionais.

Carta Final e Demandas

No encerramento, foi lida uma carta final que critica as chamadas “falsas soluções” para a crise climática. O documento pede reforma agrária, demarcação de terras indígenas e o fim do uso de combustíveis fósseis. Além disso, destaca a necessidade de maior participação dos povos na construção de soluções climáticas, reconhecendo saberes ancestrais como fundamentais.

A carta foi entregue ao presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, que prometeu levá-la às reuniões de alto nível da conferência. O texto também denuncia o papel do capitalismo como principal causador da crise climática, chamando a atenção para os impactos desproporcionais nas comunidades periféricas.

Críticas às Guerras e Imperialismo

Os participantes da cúpula expressaram repúdio ao avanço do fascismo e às guerras, fazendo uma defesa explícita do povo palestino e condenando os bombardeios em Gaza. O documento ainda critica ações imperialistas, como as intervenções militares dos Estados Unidos na América Latina, que ameaçam a soberania dos povos.

O evento, que começou no dia 12, foi marcado por uma série de mobilizações e manifestações, incluindo uma “barqueata” em defesa da Amazônia. Os organizadores ressaltaram que a cúpula representa o maior espaço de participação social da COP30, evidenciando a necessidade de inclusão das vozes populares nas discussões sobre mudanças climáticas.

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