Os bombardeios de Israel e tiroteios na Faixa de Gaza deixam mais de 100 crianças mortas desde o início de outubro, período em que foi firmada uma trégua entre Israel e o Hamas. O acordo, mediado pelos EUA, entrou em vigor em 9 de outubro. O contabilista da UNICEF aponta que o número representa mortes diárias de crianças durante o cessar-fogo, com centenas de feridos.
Em Gaza, o porta-voz da UNICEF relata casos de crianças atingidas por estilhaços durante ataques. Um exemplo é Abid Al Rahman, de 9 anos, que ficou cego após um disparo próximo ao local onde colhia lenha. O relato enfatiza impactos diretos e permanentes em jovens moradores da região.
Restrições e recursos
O UNICEF também alerta para severas limitações de acesso a suprimentos médicos, gás, combustível e peças para reparos de água e esgoto na Faixa de Gaza. Ao mesmo tempo, houve avanços em saúde e nutrição, com imunização ampliada e cortes de encanamentos, segundo o organismo.
Avanços de serviços e debates
Segundo a UNICEF, houve expansão de centros de distribuição de alimentos, contribuindo para queda da fome. Em contrapartida, as Forças de Defesa de Israel dizem que grupos palestinos violaram o cessar-fogo, passando a responder com maior intensidade. O Hamas acusa Israel de bloqueio humanitário.
Medidas contra organizações humanitárias
No fim de dezembro, o parlamento de Israel aprovou lei que proíbe 37 organizações de atuar na Faixa de Gaza, incluindo a MSF. A decisão seria pela recusa de repassar dados de funcionários palestinos às autoridades israelenses, segundo o governo.
A MSF afirma que exigir dados pessoais expõe funcionários a riscos e viola a privacidade. A ação também resulta no corte de água, energia e comunicações de órgãos como a UNRWA, entre outras entidades.
Reações internacionais
O secretário-geral da ONU pediu cautela ao governo de Israel, destacando riscos de escalada jurídica caso a ONU leve o caso à Corte Internacional de Justiça. A UNRWA já havia enfrentado restrições desde 2024, sob alegação de ligações com militantes do Hamas, sem evidências apresentadas.
O comissário-geral da UNRWA denunciou que as medidas violam o direito humanitário e dificultam a atuação humanitária. Em resposta, o embaixador de Israel na ONU acusou a ONU de intimidar o país e dificultar a apuração de supostos vínculos entre a UNRWA e o Hamas.
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