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Potências médias não precisam colaborar para avançar

Na era da rivalidade entre EUA e China, potências médias usam capacidades nicho para ganhar influência bilateral e evitar dependência

From left to right: European Union Council President António Costa, Japanese Prime Minister Shigeru Ishiba, Italian Prime Minister Giorgia Meloni, French President Emmanuel Macron, Canadian Prime Minister Mark Carney, and U.S. President Donald Trump arrive for a group photo at the G-7 summit in Canada on June 16, 2025.
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A World Economic Forum em Davos foi palco de um alerta sobre a ordem mundial. Mark Carney, primeiro-ministro canadense, descreveu o quadro atual como uma ruptura, com grande potência sem limites claros. A mensagem aponta instabilidade global que afeta acordos com EUA e China.

Segundo Carney, há espaço para meios de poder, chamados de middle powers, que possuem capacidades industriais, de recursos ou diplomáticas distintas. Em vez de atuar em bloco, muitos já buscam estratégias bilaterais com grandes potências, mirando segurança econômica e tecnológica.

Taiwan é citada como exemplo extremo de “escudo de silício”: domina a produção de chips avançados, respondendo por grande parcela do suprimento global. Países sem esse nível de domínio tentam compensar com especializações em setores estratégicos.

Outros casos ilustram o formato de “niche superpowers”: Finlândia, líder em quebra-gilas e plataformas de navegação polar; Coreia do Sul, líder em construção naval de alta tecnologia; e Taiwan, referência em semicondutores. Essas competências moldam relações bilaterais com EUA e China.

Ao longo de Davos, Carney defendeu que middle powers se organizem para enfrentar pressões de tarifas e garantias de defesa. Na prática, nações como Finlândia, Coreia do Sul e Taiwan já atuam fora de blocos multilaterais, buscando acordos diretos. A estratégia, no entanto, pode depender de como as grandes potências reagirem.

Países emergentes também adotam caminhos semelhantes. Brasil e Vietnã investem em minerais críticos e em refino, buscando autonomia e influência sem depender de alianças regionais. O objetivo é aumentar o peso na relação com EUA e China por meio de capacidades únicas.

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