O Institute for Public Policy Research (IPPR) aponta que mais de 300 mil crianças já no Reino Unido podem ficar sujeitas a esperar 10 anos pela residência permanente, caso avancem alterações ao regime de “earned settlement” do Home Office. A análise envolve famílias dependentes de trabalhadores na via de regularização.
Segundo o IPPR, quase um quarto (23%) dos 1,35 milhão de pessoas em rotas para a residência permanente são crianças. A maior parte depende do visto de trabalho dos pais ou responsáveis na família.
As mudanças propostas ampliam o tempo para qualificação de residência permanente de cinco para 10 anos para a maioria dos trabalhadores migrantes, e para 15 anos para cargos abaixo de nível universitário, incluindo cuidadores. A medida geraria insegurança prolongada para famílias.
A proposta ocorre num contexto de resistência interna ao Partido Trabalhista. Pequenos grupos de parlamentares criticam o efeito retroativo, afirmando que ele prejudica migrantes já estabelecidos sob regras anteriores.
Entre os que contribuiriam para o debate público, está a deputada Shabana Mahmood, defensora das mudanças, segundo relatos de sessões no parlamento. Trabalhistas questionam o impacto sobre educação, trabalho e acesso a benefícios.
Alguns parlamentares destacam riscos de ampliar a pobreza infantil e dificultar a integração de famílias na sociedade britânica. A oposição também ressalta impactos em oportunidades educacionais e na mobilidade econômica das crianças.
O IPPR recomenda, como mínimo, a inclusão de uma cláusula que proteja quem já está em rotas de regularização contra mudanças retroativas. O think tank enfatiza que a medida poderia prolongar a incerteza e prejudicar o planejamento familiar.
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