O mundo vivencia aumento de violência, ameaças e assédio contra políticos, aponta pesquisa da União Interparlamentar (IPU). O estudo, divulgado nesta semana, foi feito principalmente em 2025 e envolve legisladores de mais de 80 países. O objetivo é entender como as pressões afetam a democracia.
A IPU realizou questionários com 519 eleitos em cinco países-piloto: Argentina, Benin, Itália, Malásia e Holanda, para compor um retrato global da violência política. A maioria dos respondentes afirmou ter vivenciado violência pública, principalmente online.
Impactos e vulneráveis
A pesquisa indica que 71% dos entrevistados sentiram violência de parte do público, com maior incidência de ataques contra mulheres, inclusive em formas sexualizadas. O secretário-geral da IPU, Martin Chungong, destacou que o fenômeno pode ter grandes consequências para a democracia se não for contido.
Chungong ressaltou que a situação nos Estados Unidos é particularmente grave, citando ataques a autoridades e a políticos de alto perfil. Entre os casos mencionados estão agressões a governadores, familiares de ex-líderes e integrantes do Congresso, além de episódios de intimidação durante comícios.
Efeitos na atuação parlamentar
Segundo o secretário-geral, muitos parlamentares passaram a ser mais cautelosos ao falar ou escrever publicamente diante do assédio online. O receio de retaliação pode reduzir a disposição de se envolver no debate público, prejudicando a representatividade.
A IPU aponta que as novas tecnologias, incluindo inteligência artificial, ampliam a capacidade de disseminar ofensas de forma anônima, às vezes com participação de atores estatais. O relatório recomenda ações para proteger legisladores e a integridade do debate público.
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