O cerco e a captura de El Fasher, capital de Darfur Norte, pelo grupo paramilitar RSF em outubro passado, foram avaliados por uma missão de apuração da ONU como tendo “hallmarks de genocídio”. A operação envolveu milícias aliadas e visou comunidades étnicas Zaghawa e Fur.
O relatório descreve 18 meses de ocupação da cidade, com destruição deliberada de infraestruturas e restrições a civis. Segundo a missão, houve escala, coordenação e apoio público da liderança do RSF para crimes que não seriam excessos de guerra.
Investigadores entrevistaram 320 testemunhas em El Fasher e arredores, e visitaram Chad e Sudão do Sul. O documento aponta violência sexual generalizada, assassinatos, rapto e desaparecimentos, com ataques ocorrendo em locais como o hospital El Saudi e a universidade de El Fasher.
Repercussões internacionais
Os autores pedem responsabilização dos autores e enfatizam que as ações configuram crime de genocídio. O texto destaca a necessidade de cooperação internacional para investigar e responsabilizar os envolvidos, conforme a gravidade dos fatos relatados.
As informações chegam dias após a divulgação de sanções dos EUA contra três comandantes do RSF, por envolvimento no cerco e na captura de El Fasher. Washington descreveu o ocorrido como assassinatos étnicos, tortura, fome e violência sexual.
Contexto regional
O relatório reforça que, com o foco do conflito mudando de Darfur para Kordofan, é essencial que a comunidade internacional atue com firmeza para deter o uso de violência contra civis. O documento cita riscos de novas ofensivas na região.
As conclusões foram acompanhadas pela imprensa internacional e coincidem com relatos de violações generalizadas no país, incluindo ataques em áreas vizinhas. Autoridades locais não comentaram oficialmente o conteúdo do relatório.
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