A Rússia voltará a participar da Bienal de Veneza, em um retorno desde a invasão da Ucrânia em 2022. O Pavilhão russo exibirá folclore e música mundial, segundo a lista de participantes publicada no site da Bienal. A proposta foi anunciada pela comissão russa e pelo organizador Mikhail Shvydkoy, enviado cultural de Putin.
A comissão russa descreve o projeto como uma polifonia multilíngue de culturas, enfatizando que não haveria exclusão nem censorship de expressão artística. A programação prevê um festival de três dias, entre 5 e 8 de maio, antes da abertura oficial, com filmagens que serão exibidas no pavilhão.
O título do programa é The tree is rooted in the sky, inspirado na obra da filósofa Simone Weil. Segundo fontes associadas ao pavilhão, o projeto também envolverá filósofos na curadoria. A iniciativa foi marcada por reações de crítica entre dissidentes russos e artistas ucranianos, que veem a participação como uma ferramenta de propaganda cultural.
Pussy Riot, grupo de protesto punk, criticou publicamente a decisão, afirmando que a participação representa um golpe à segurança europeia e que a cultura tem sido usada como instrumento de doutrina militar. A organização também mencionou histórico de regimes totalitários associando arte a políticas de normalização de poder.
A Bienal de Veneza defendeu a inclusão da Rússia, destacando que qualquer país reconhecido pela Itália pode participar caso possua pavilhão no Giardini. Em nota, a organização reforçou o compromisso com o diálogo, a abertura e a liberdade artística, desejando cessar conflitos e sofrimentos.
O debate envolve também a cena artística internacional. Críticos e curadores ucranianos ressaltam que a participação gerou controvérsias, com relatos de descontentamento não apenas na esfera artística, mas na sociedade. Comentários apontam para uma leitura crítica sobre a história do pavilhão russo, cuja construção data de 1914.
Entre os participantes, destaque para o músico diaki Kone, conhecido como DJ Diaki, que representa a fusão de ritmos da África Ocidental com elementos russos. O artista descreveu a ocasião como uma oportunidade de diálogo cultural, buscando evitar a politização da música.
A programação também incluirá integrantes de ensembles folclóricos retratados na televisão estatal russa. A seleção inclui grupos que promovem a narrativa nacionalista, refletindo uma linha cultural associada ao governo. A família Karneeva, ligada ao pavilhão, tem histórico de vínculos com estruturas estatais e empresas ligadas a defesa, o que alimenta debates sobre interesses políticos na escolha cultural.
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