Durante uma audiência pública no Congresso, nesta semana, Tulsi Gabbard, diretora de Inteligência Nacional dos EUA, apresentou versões conflitantes sobre o programa nuclear do Irã e as justificativas para ações militares contra o país. O depoimento ocorreu no Senado, em Washington, no âmbito de uma sessão da Comissão de Inteligência.
A autoridade informou que, segundo a avaliação da comunidade de inteligência, o Irã buscava reconstruir infraestrutura nuclear após ações militares no verão passado. Em contrapartida, sua versão escrita afirmava ter havido destruição de instalações de enriquecimento e interrupção de tentativas de reconstrução.
No depoimento oral, Gabbard reconheceu mudanças em relação ao texto preparado, afirmando que o Irã tentava recuperar danos causados pela ofensiva de 12 dias. Ela disse ainda que o Irã não cumpria plenamente as obrigações com o OIEA, negando acesso a instalações-chave.
Questionada por senadores, a diretora manteve o tom de que continua a haver intenção do Irã de retomar o enriquecimento nuclear, ao passo que disse que cabe ao presidente definir o que constitui ameaça iminente. O debate ocorreu após a renúncia de Joe Kent, subordinado de Gabbard, que se opôs à ação norte-americana contra o Irã.
Entre os interlocutores, o vice-presidente da comissão, senador Mark Warner, e o senador Jon Ossoff cobraram respostas mais claras sobre discrepâncias entre o que foi apresentado oralmente e o conteúdo escrito. Os dois enfatizaram a responsabilidade da comunidade de inteligência em avaliar ameaças globais.
Pelo lado republicano, senadores destacaram impactos de decisões sobre cortes de orçamento em áreas como contrainteligência, combate ao terrorismo e cibersegurança. Críticas também apontaram para eventuais efeitos colaterais de ações contra o Irã na aliança com a Ucrânia e no abastecimento de energia global.
O diretor da CIA, John Ratcliffe, também presente na audiência, defendeu as medidas adotadas para equilibrar interesses domésticos e internacionais. Ele afirmou que as ações, embora possam beneficiar adversários, visam manter a economia estável e manter preços do petróleo sob controle.
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