O Japão pode considerar auxiliar a sinkação da frota de invasão chinesa caso Pequim avance sobre Taiwan. A proposta seria parte de uma resposta à possível escalada, alinhada à aliança EUA-Japão e à própria sobrevivência do Japão. A ideia aparece em meio a debates em Washington, durante visitas do primeiro-ministro japonês a capital norte-americana.
Autoridades japonesas discutem mudanças na estratégia de defesa desde 2015, quando leis permitiramm o uso da força em situações de ameaça de sobrevivência. Em novembro, uma líder conservadora destacou que um bloqueio a Taiwan pode ameaçar a própria existência do Japão, sinalizando uma linha de atuação mais agressiva.
Essa posição provocou reação chinesa severa, com críticas oficiais e medidas restritivas no comércio, incluindo cortes de voos para o Japão. Mesmo assim, especialistas indicam que o debate reflete uma evolução do pensamento de defesa japonês em relação a Taiwan.
A lógica estratégica é simples: se Taiwan cair, o Japão enfrentaria um vizinho dominado pela China e, possivelmente, sem um aliado claro. Isso aumentaria a vulnerabilidade de Tóquio em cenários de conflito regional.
A discussão sobre um compromisso japonês não é necessariamente um plano público de intervenção. Analistas destacam que qualquer sinalização viria primeiro em conversas privadas com os EUA, para evitar interpretações de apoio ofensivo unilateral.
Na prática, o Japão já investe em capacidades de dissuasão. O país fechou acordo de 2,4 bilhões de dólares para mísseis Tomahawk, com planos de ampliar a frota de caças F-35 e integrar mísseis anti-navio de fabricação norueguesa. Também desenvolve seu próprio míssil anti-navio, o Type 12, com alcance superior a 1.000 quilômetros.
Entraves operacionais permanecem. Alvos em navios em movimento exigem coordenação com a defesa aérea chinesa e capacidades ainda em desenvolvimento no Japão. Além disso, qualquer anúncio público seria interpretado como mudança significativa na política de defesa, exigindo cuidadosa comunicação com a China.
Por fim, defensores argumentam que uma demonstração de prontidão japonesa poderia fortalecer a dissuasão e apoiar Taiwan sem depender exclusivamente de ações americanas. O debate também envolve planejamento conjunto com os EUA, incluindo transporte de armas e cooperação produtiva para reforçar estoques.
O alerta dos especialistas é claro: sem cooperação e preparo adequados, a iniciativa poderia favorecer ações preventivas chinesas. Em contrapartida, uma posição firme de Tóquio poderia ser vista como fortalecimento da aliança e de sua própria segurança frente a uma eventual invasão.
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