José Manuel Barroso, ex-presidente da Comissão Europeia, disse que as alegações de que a Hungria compartilhou informações confidenciais com a Rússia durante reuniões da UE são “muito perturbadoras” e preocupantes. A declaração foi dada em entrevista ao Euronews.
Barroso pediu que o presidente do Conselho Europeu, António Costa, exonere a Hungria de encontros confidenciais caso não haja esclarecimentos adequados sobre o incidente. O ex-líder europeu enfatizou a importância da cooperação entre os Estados-membros.
O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, admitiu telefonemas regulares com o Kremlin, segundo relatos da imprensa. Segundo ele, os contatos ocorreram antes e depois das reuniões em Bruxelas, e são considerados normais.
Szijjártó afirmou que os contatos foram com vários países, incluindo Rússia, Turquia, Israel, Sérvia e Estados Unidos, prática que Barroso classificou como “estranha” por colocar Budapeste em pé de igualdade com Washington. O caso explora lealdade entre parceiros.
Barroso lembrou que autoridades polonesas já mencionaram, em 2019, que a Lituânia pediu a exclusão de uma delegação húngara de uma reunião da OTAN, por temer informações classificadas serem repassadas a Moscou. O episódio recente volta a acender dúvidas.
A Rússia permanece sancionada pela UE devido à invasão da Ucrânia. A Comissão Europeia pediu esclarecimentos sobre os contatos entre a Hungria e a Rússia, enquanto muitos membros cortaram laços com Moscou.
Um porta-voz da Comissão Europeia disse que as informações sobre o suposto repasse de discussões fechadas em nível ministerial são motivo de preocupação. A UE avalia medidas cabíveis para casos de cooperação pouco transparente.
Barroso explicou ainda que, caso não haja esclarecimentos suficientes, medidas políticas podem ser consideradas para manter o princípio de cooperação sincera entre os Estados-membros. A situação permanece em aberto.
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