Em 18 de março de 2026, a Proteção Civil italiana informou que não poderia mais acompanhar o Arctic Metagaz, petroleiro russo de 277 metros à deriva desde o início do mês. O navio havia sido atingido por um drone ucraniano e navegava sem tripulação, já dentro da zona de busca e salvamento da Líbia.
Durante duas semanas, o cargueiro cruzou Malta, Itália e Libia, sem que nenhum Estado assumisse responsabilidade formal. A fluidez das correntes impede a fixação de fronteiras, transformando o mar em espaço onde convenções expiram diante da prática.
Segundo relatos divergentes, a carga total inclui grandes volumes de combustível pesado ou óleo diesel, além de mais de 60 mil toneladas de gás natural liquefeito. Dois tanques teriam ficado aparentemente intactos, mas o risco de vazamento permanece alto.
O GNL, mantido a -162°C, evapora e forma nuvens criogênicas que podem deslocar oxigênio e criar zonas de asfixia para a fauna marinha. Qualquer faísca pode desencadear explosões, ampliando o risco para pesca e turismo na região.
Desafio da governança marítima e sanções
O Arctic Metagaz expõe a mobilidade de frotas sancionadas, com troca de bandeira e operações em alto-mar. A irregularidade acarreta dificuldades para acionar salvamento e compensação.
A União Europeia enviou alerta de risco grave de desastre ecológico, mas não há caminho claro para agir sem comprometer sanções. Itália e Malta tentaram operações de salvamento, mas as condições do mar atrasaram as ações.
Em terra, a soberania é clara; no mar, ela é compartilhada por zonas de coordenação. Nenhum país é obrigado a tratar o navio como problema seu, aumentando a fragilidade diante de emergências ambientais.
Globais apontam que o direito marítimo exige propietario identificável, bandeira responsável e seguro. A frota fantasma desrespeita esses pilares, revelando limitações de instrumentos como a Convenção de Salvamento Marítimo de 1989.
O WWF classifica o risco como extremo e potencialmente irreversível para o Mediterrâneo, com efeitos diretos sobre espécies protegidas e atividades econômicas locais. O caso pede protocolos mais claros para navios-fantasma em crise.
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