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Cúpula sobre tratado em alto mar discute papel dos gestores pesqueiros

RFMOs pressionam pela participação decisória no acordo BBNJ, enquanto críticos afirmam que isso pode fragilizar a proteção dos mares de alto mar

Seagrass and coral reef off Lord Howe Island in Australia. The island, situated between the Australian mainland mainland and New Zealand, is near Lord Howe Rise and the Tasman Sea, areas that are viewed by conservationists as a potential site for the development of a high seas marine protected area. Image courtesy of Matt Curnock / Ocean Image Bank.
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A cúpula sobre o tratado dos mares alta Mar foi marcada por um impasse: enquanto a proteção e a criação de Áreas Marinhas Protegidas em alto-mar ganham força, os Organizadores Regionais de Gestão de Pesca (RFMOs) insistem em manter a sua participação nas decisões previstas pelo acordo.

Concluída a conferência preparatória em Nova York, entre 23 de março e 2 de abril, discussões giraram em torno de como os RFMOs seriam integrados ao regime da BBNJ, especialmente para não duplicar esforços nem fragilizar privilégios do setor pesqueiro. Observadores destacaram divergências sobre o peso dos RFMOs no texto.

RFMOs participaram da elaboração de propostas conjuntas para alterar a forma de funcionamento do texto, buscando garantir cooperação e implementação suave. Críticos, incluindo especialistas e ONGs, alertaram que as mudanças podem ampliar o poder dessas entidades na ciência e na delimitação de áreas protegidas no alto-mar.

Líderes das RFMOs afirmaram que as alterações propostas visam apenas eficiência e cooperação, sem subverter o mandato da BBNJ. Em meio a acirradas disputas, houve debates sobre a participação de observadores não estatais, como ONGs, e a definição de onde ficará a sede do secretariado da BBNJ.

A produção de regras sobre observadores ganhou destaque na leitura de texto emergente, que prevê um mecanismo de objeção, mantido pela COP para decidir quem pode participar. Organizações da sociedade civil ressaltaram preocupação com lacunas na redação que poderiam restringir a participação.

Três países aparecem como candidatos a sediar o secretariado: Bélgica, Chile e China. A escolha não é trivial, com discussões sobre governança regional, equilíbrio geopolítico e impactos na implementação prática do acordo. A votação final deverá ocorrer no COP1, programado para 2027.

A Associação de Pequenas Ilhas (AOSIS) criticou o ritmo das negociações, chamando a sessão de Nova York de suficiente para avanços, mas insuficiente para resolver entraves que envolvem temas centrais para proteção do oceano. A nota foi divulgada pelos delegados de Palau, representante da AOSIS.

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