O Itamaraty avalia que o Irã está em posição de negociação superior à dos Estados Unidos no momento atual do conflito no Oriente Médio. A visão é de que a resistência iraniana aos ataques de EUA e Israel, ao longo de 30 dias de conflito, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz, gera pressão econômica global que favorece Teerã.
Fontes da diplomacia brasileira apontam que o controle do tráfego pelo estreito compensa a superioridade bélica dos EUA. Segundo analistas, a medida iraniana aumenta a distância entre Teerã e Washington nas tratativas internacionais.
A avaliação é de que o Irã poderá ceder em alguns pontos, como não ampliar o enriquecimento de urânio para níveis que permitam fabricar armas, mas manteria o programa de mísseis balísticos. Em contrapartida, poderia exigir garantias sobre o controle do Ormuz.
Também se destaca a possibilidade de negociação que vise manter o programa de mísseis e algum tipo de controle sobre o estreito, sem, contudo, abrir mão de interesses estratégicos de Teerã. A leitura é de ganhos para o Irã em termos de influência regional.
Fontes ligadas ao Itamaraty afirmam que o Irã provou, com a atual conjuntura, que o estreito é instrumento de pressão econômica de alcance global. Essa dinâmica é vista como fator relevante para o desenho de eventuais acordos.
A leitura do Itamaraty sobre o ritmo das negociações
A análise aponta que qualquer acordo não será rápido nem simples. As demandas iranianas são interpretadas como altas pelos EUA, o que pode prolongar as negociações.
Analistas ressaltam ainda que o desfecho dependerá de fatores como garantias de segurança regional, participação em negociações multilaterais e a percepção internacional sobre sancões e estabilidade do mercado energético.
A proposta brasileira é manter o foco na busca por estabilidade regional e evitar escaladas, mantendo o diálogo entre as partes envolvidas. O Itamaraty continua monitorando o desdobramento do conflito.
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