Após o anúncio de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, um grupo internacional de profissionais de geopolítica realizou uma reunião virtual para avaliar impactos. A intenção é entender as consequências econômicas, políticas e sociais e projetar possíveis desdobramentos.
A percepção dominante é de que existem mais perguntas que respostas. Ainda assim, já é evidente que uma nova realidade se impõe, com mudanças significativas nas trajetórias do Oriente Médio e do comércio global. O cenário atual não se resume a religar o planeta a uma tomada.
Panorama econômico e energético
O preço do petróleo chegou a passar de US$ 110 o barril em março, caiu cerca de 15% após o cessar-fogo e sinais de reabertura do Estreito de Ormuz. A volatilidade persiste, refletindo incertezas sobre a retomada de rotas e cadeias de suprimento.
As bolsas reagiram favoravelmente ao desfecho, mas a normalização completa do mercado não é esperada a curto prazo. No período anterior ao conflito, entre US$ 60 e US$ 70 era o patamar do barril, com plena operação de logística global.
A recuperação demanda reconstrução de infraestrutura danificada e inspeção de equipamentos nas áreas de atuação dos ataques, que afetaram não apenas o Irã, mas também Arábia Saudita, Emirados, Iraque, Omã, Kuwait e Jordânia. Estima-se que pelo menos 10% da entrega mundial de petróleo tenha sido prejudicada.
Desdobramentos logísticos e seguradores
O retorno ao fluxo de Ormuz dependerá de acordos técnicos entre EUA e Irã, para garantir travessias seguras. A indústria de seguro deve ajustar tarifas, com impactos potenciais sobre o custo de fretes marítimos.
Questionamentos permanecem sobre o preço dos seguros, o tempo necessário para reconstituir quadros de trabalhadores e navios, e se um novo acordo político evitar retalhas futuras. A reconstrução de instalações agrícolas e de fertilizantes também entra na pauta.
Perspectivas e mensagens de especialistas
Analistas estimam que os preços da energia fiquem entre os níveis pré-guerra e os registrados durante o conflito, com trajetória de queda gradual ao longo do ano, dependendo da estabilidade regional. A inflação de produtos agrícolas pode sustentar pressões inflacionárias até 2027, ainda que haja desaceleração econômica global parcial.
O fim do conflito ainda depende de acordos duradouros entre as partes, o que influenciará o ritmo de retomada econômica e a retomada de laços comerciais. Fatih Birol, chefe da IEA, afirmou que a crise no petróleo e no gás associada ao bloqueio de Ormuz é de grande gravidade, superando eventos históricos recentes.
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