O Käntfonds Foundation, uma importante instituição alemã que financia projetos de arte contemporânea, denunciou publicamente o responsável pela política cultural do país após ele ter pedido a lista de membros atuais da instituição. A solicitação foi feita em março de 2025 pelo secretário de Estado para a Cultura, Wolfram Weimer, e provocou ações de defesa da independência da curadoria.
Em uma declaração divulgada inicialmente pelo Der Spiegel, os jurados do Kunstfonds classificaram a medida como uma forma de interferência política com potencial de restringir a liberdade de expressão artística. Weimer, designado para moldar a política cultural da Alemanha em 2025, supervisiona a alocação de milhões de euros em financiamentos federais para prêmios, concessões e projetos. A seleção de ganhadores, porém, é tradicionalmente feita por comissões independentes.
Para a Kunstfonds, a atuação de Weimer suscitou dúvidas sobre sua imparcialidade, especialmente por controvérsias ligadas ao Prêmio Alemão de Livrarias, cuja escolha costuma ficar a cargo de uma comissão independente. Segundo relatos, Weimer procurou o Escritório Federal de Proteção da Constituição para excluir três livrarias consideradas mais à esquerda; ao ser questionado, ele mencionou que se baseava em informações da agência, sem detalhar. A repercussão levou os jurados a afirmar que isso abala a compreensão de financiamento cultural democrático.
Contexto e desdobramentos
Os signatários da carta destacaram a rejeição a qualquer tentativa de influência e ao dano à reputação da comissão independente. Eles lembraram a proteção garantida pela lei básica alemã para a liberdade de arte, ciência e ensino, e expressaram preocupação com ataques políticos à expressão artística. Os jurados também mencionaram uma diminuição no número de candidaturas, atribuindo a mudança ao ambiente de pressão política que afeta a discusão cultural.
O episódio ocorre em meio a debates sobre alcance da censura na cultura alemã, com críticas a medidas que associam financiamento público a definições de antissemitismo e a discussões sobre liberdades de expressão em temas de Palestina. Em 2024, houve controvérsias sobre declarações oficiais ligadas a políticas culturais e a atuação de artistas internacionais diante de acusações de censura.
A carta dos jurados do Kunstfonds encerra com um alerta sobre o uso indevido de intervenções políticas no âmbito artístico, apontando que tais ações podem ser exploradas por forças antidemocráticas no futuro. Em resposta, a assessoria de Weimer afirmou que, por motivos de confidencialidade, não havia outra forma de lidar com os casos especiais, remetendo a informações ao Ministério do Interior.
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