O estreito de Hormuz segue fechado, alimentando a incerteza no agronegócio brasileiro. A região, rota prioritária para o envio de produtos e insumos ao Oriente Médio e à China, voltou a bloquear navios neste fim de semana. Companhias brasileiras, frente à instabilidade, já operam com rotas alternativas pelo mar Vermelho e pelo canal de Suez.
A incerteza afeta planos de exportação e logística. A depender do desfecho, pode haver impacto nos volumes enviados pela indústria agrícola brasileira para a região, principalmente em meio a uma guerra em curso. As empresas têm adotado ajustes para manter o fluxo, mesmo diante dos riscos.
O agronegócio do Brasil manteve exportações fortes em 2025, totalizando US$ 169,2 bilhões. Parte relevante das cargas segue para o Oriente Médio, somando US$ 12,4 bilhões, ou 7,4% do total. O cenário preocupa pela continuidade do abastecimento, sobretudo de fertilizantes.
Para desviar rotas, o escoamento tem operado pelo mar Vermelho, pelo canal de Suez e pelo estreito de Bab el-Mandeb. Em alguns casos, navios já avaliam contornar o Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, diante do risco de ataques no Mar Vermelho.
O estreito é crucial para insumos agrícolas. Dados indicam que 40% das exportações mundiais de ureia passam por Hormuz, 30% de amônia, 24% de fosfatos e 50% de enxofre. A dependência brasileira desse fluxo eleva a vulnerabilidade ante a incerteza da passagem.
Especialistas apontam que o Irã é um dos maiores compradores de milho do Brasil, destacando a importância do estreito para o abastecimento de insumos e para a produção de frango em mercados próximos. A manutenção de entregas ao Irã é considerada estratégica para manter o volume de exportações.
Para o setor, o principal desafio hoje envolve a cadeia de fertilizantes. Produtos à base de nitrogênio e enxofre dependem fortemente da abertura de Hormuz para chegar ao Brasil antes do início da safra, prevista para setembro. A falta ou atraso pode elevar custos.
A continuidade das restrições, segundo o presidente da ABPA, torna mais difícil manter volumes de exportação para a região. Ainda cabe acompanhar se haverá acordo que normalize as rotas e reduza a insegurança logística de curto prazo.
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