O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom nas críticas a Donald Trump durante declaração à imprensa em Hannover, ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz. Lula reiterou posições contrárias à invasão da Venezuela, à guerra no Irã, ao bloqueio a Cuba e à possível exclusão da África do Sul da reunião do G20 nos EUA. A entrevista ocorreu nesta segunda-feira, na Alemanha.
Lula afirmou que o país sul-africano, membro fundador do G20, não pode ser impedido de participar da cúpula de Miami, marcada para dezembro. Segundo o presidente, Ramaphosa é participante nato e deve comparecer, independentemente de determinações de Trump. O tom da fala reforçou a defesa de participação sul-africana no encontro.
O brasileiro ressaltou que o apoio do governo Merz é essencial e alertou para o risco de o G20 expulsar outros países. Lula descreveu o G20 como fórum de questões econômicas, não de decisões sobre participação, enfatizando neutralidade no tema.
G20, Cuba e Irã
Ao tratar de Cuba, Lula criticou o embargo econômico americano e o considerou uma violação da integridade territorial das nações, chamando a política de Cuba de justificativa ideológica. Sobre o Irã, ele pediu a continuidade de negociações e enfatizou a necessidade de multilateralismo para a paz.
Em Hannover, o presidente ressaltou a importância de reformas no Conselho de Segurança da ONU, apontando que a humanidade vive momentos de tensões globais. Ele disse que Brasil e Alemanha buscam paz, diálogo multilateral e desenvolvimento, em contraponto a políticas de destruição.
Biocombustíveis, Mercosul-UE e agenda europeia
Lula e Merz defenderam a implementação plena do acordo Mercosul-UE, destacando apoio alemão para a aprovação do tratado. O chanceler ressaltou benefícios tecnológicos, econômicos e de cooperação entre Brasil e Alemanha no acordo.
O presidente citou o biocombustível brasileiro como exemplo de sustentabilidade, afirmando que o combustível renovável apresenta menores emissões que os fósseis. Ele comentou planos de demonstrar na imprensa alemã a utilização de biodiesel brasileiro em caminhões locais.
Lula também sinalizou a intenção de tornar o Brasil referência em energia renovável, chegando a comparar o país a uma espécie de “Arábia Saudita dos combustíveis renováveis”. A agenda inclui, ainda, visita à fábrica da Volkswagen em Wolfsburg.
A viagem segue com uma passagem por Portugal, prevista para esta terça-feira, para encerrar a atual etapa europeia do itinerário.
Entre na conversa da comunidade