Um tribunal salvadorenho iniciou nesta terça-feira o julgamento em massa de mais de 400 supostos líderes da gangue MS-13, em um processo que envolve mais de 47 mil crimes cometidos entre 2012 e 2022. Os promotores apontam ordens de homicídio, feminicídio, extorsão, tráfico de armas e desaparecimentos forçados.
A Promotoria sustenta que 486 réus lideravam atividades criminosas e teriam ajudado a criar um estado paralelo por meio do controle territorial. A peça acusatória traz autópsias, análises balísticas e depoimentos de testemunhas como provas.
A promotoria pediu a pena máxima possível para cada crime, o que significa que um único réu pode pegar até 245 anos de prisão se condenado em todas as acusações. Revelações também apontam para ordens de matar 86 pessoas entre 25 e 27 de março de 2022.
Contexto: estado de emergência e ambitante reação
O caso ocorre num contexto de estado de emergência nacional, declarado pelo Congresso e prorrogado mensalmente desde então. Críticos apontam abusos de direitos humanos, com juristas internacionais citando violações sob o decreto.
As autoridades dizem que mais de 91.500 pessoas foram detidas sob o regime, cuja medida é alvo de denúncias de superlotação e mortes de detentos em custódia, estimadas em 513.
Dados oficiais e leituras sobre o impacto
O governo do presidente Nayib Bukele afirma que a medida contribuiu para reduzir os homicídios, de 7,8 por 100 mil habitantes em 2022 para 1,3 em 2025, segundo dados oficiais. A avaliação, porém, permanece sob escrutínio de organizações independentes.
Entre na conversa da comunidade