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Lula encerra giro europeu diante de novo desgaste com os EUA

Lula encerra giro europeu mantendo tom crítico a Trump, em meio a desgaste com os EUA e ao caso Ramagem e à investigação comercial brasileira

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista coletiva em Hannover, na Alemanha 20 de abril de 2026
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou nesta terça-feira o giro pela Europa mantendo o tom crítico em relação ao governo dos EUA, especialmente a Donald Trump. A viagem dominou a agenda com divergências entre Brasil e Washington em meio a tensões diplomáticas recentes.

A diplomacia brasileira ficou marcada por questionamentos às decisões unilaterais que, segundo Lula, podem gerar conflitos e tarifas. O tom irônico foi utilizado pelo presidente, que citou a possibilidade de premiar Trump com o Nobel da Paz para evitar guerras, destacando o diálogo como essencial.

A agenda de três países europeus mostrou uma linha comum dezy divergência com a política externa norte-americana, sem avanços explícitos para uma reunião prevista na Casa Branca. Os atritos surgem em meio a nova etapa da relação entre Brasília e Washington.

Ramagem e atritos diplomáticos

A tensão envolve o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, aliado de Jair Bolsonaro. Ramagem, considerado foragido no Brasil, aguarda avaliação de um pedido de asilo nos EUA após ter sido detido pelo ICE. Ele ficou em liberdade sem fiança.

O governo americano gestiona críticas de que o Brasil poderia ter formado um contorno migratório para retardar a extradição. Em resposta, Washington pediu a expulsão de um delegado da PF que ajudou na detenção de Ramagem, ampliando a percepção de ingerência política.

Medidas comerciais e impacto econômico

Outra frente de atrito é a investigação comercial norte-americana sobre práticas brasileiras ligadas ao Pix e a decisões envolvendo grandes empresas de tecnologia. O Brasil teme que o tema seja utilizado para justificar tarifas.

O governo brasileiro busca cautela antes de qualquer retaliação, mantendo a defesa por reciprocidade. O vice-presidente Geraldo Alckmin ressaltou a necessidade de aguardar explicações formais antes de qualquer medida.

Contexto político e cenário eleitoral

A relação com o ex-diretor da Casa Branca continua sob escrutínio, com o uso estratégico de mensagens para dividir o eleitorado entre o apoio à diplomacia estável e a pressão de setores que apoiam posições mais firmes contra os EUA. O tema permanece sensível no cenário eleitoral de 2026.

Flávio Bolsonaro, aliado de Bolsonaro, mantém discurso de proximidade com setores da Casa Branca, ao mesmo tempo em que busca se posicionar como uma opção moderada aos eleitores do centro. O desenho das alianças reflete a estratégia de Lula de simultaneamente manter diálogo internacional e consolidar base interna.

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