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Israel e Líbano retomam negociações em Washington diante de trégua frágil

Israel e Líbano retomam negociações em Washington diante de cessar-fogo frágil e pressão internacional por solução diplomática, com risco de nova escalada no sul libanês

Veículos das Nações Unidas trafegam por uma estrada em Qasmiyeh, no sul do Líbano, em 20 de abril de 2026, durante um cessar-fogo de dez dias entre o Líbano e Israel. (Imagem ilustrativa)
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Israel e Líbano voltam a negociar na quinta-feira (23), em Washington, diante de uma trégua fragilizada no sul libanês. As conversas diretas visam reduzir violações e avançar uma solução diplomática para o conflito.

Do lado israelense, o tom foi duro ao pedir atuação direta de Beirute contra o Hezbollah, grupo pró-iraniano presente no território libanês. O ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, convocou o governo libanês a cooperação na defesa contra o que chamou de Estado terrorista.

Do outro lado, Beirute busca evitar nova escalada militar. Uma fonte oficial citada pela AFP diz que o Líbano deverá pedir aos mediadores americanos a prorrogação do cessar-fogo por mais um mês e a suspensão imediata de bombardeios e operações de destruição em áreas com presença militar.

O cessar-fogo atual vence no domingo (26), mas a aplicação tem enfrentado dificuldades. Nesta quarta, ataques aéreos israelenses no Líbano deixaram três mortos, apesar da trégua, segundo autoridades libanesas.

Pressão internacional

A morte de dois militares franceses na agressão no sul do Líbano aumentou a pressão internacional. O cabo Anicet Girardin faleceu em decorrência de ferimentos, após o ataque que já havia tirado a vida do suboficial Florian Montorio. Outros dois franceses ficaram feridos.

O presidente francês, Emmanuel Macron, homenageou os dois militares e confirmou que o ataque foi atribuído ao Hezbollah por autoridades francesas e da ONU, que negam envolvimento direto do grupo no ataque.

Este episódio eleva o saldo de baixas francesas desde o início do atual ciclo de violência no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro com ataques aéreos e retaliações na região.

Impactos no Líbano

O conflito acentuou a crise humanitária no Líbano. O Conselho Nacional de Pesquisas do país informa que mais de 62 mil residências foram destruídas ou danificadas em cerca de seis semanas de confrontos, com 21.700 casas destruídas e 40.500 danificadas em cerca de 45 dias.

França tem atuado para ampliar a via diplomática. Ao receber Nawaf Salam em Paris, Macron pediu que as negociações ganhem tempo e que as partes consolidem a trégua, sem novas ofensivas, para preparar o diálogo em Washington.

Reações internacionais

O Brasil expressou apoio ao cessar-fogo e pediu respeito à soberania libanesa. O Itamaraty pediu o fim da ocupação israelense no sul do Líbano, retorno dos deslocados e cumprimento integral da Resolução 1701 da ONU, que encerrou a guerra de 2006.

Fonte: AFP

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