A Polícia Federal retirou as credenciais de um agente americano em Brasília, em resposta ao caso envolvendo o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho. A medida foi tomada com base no princípio da reciprocidade, segundo a PF. O episódio ocorre no contexto de tensões entre Brasil e EUA após a não comunicação oficial de Washington.
A PF informou ao Poder360 que a decisão partiu da própria instituição, sem ordem do governo federal. As restrições atingem apenas atividades relacionadas à Polícia Federal. A data de formalização não foi divulgada. Não houve anúncio de expulsão formal.
O governo brasileiro afirma não ter recebido comunicação oficial sobre o caso. Sem aviso prévio, o retorno de Marcelo Ivo pode equivaler a uma expulsão prática, mas sem rito oficial, o que afasta, por ora, a extradição.
A ação ocorre após o governo dos EUA ter solicitado a saída de Marcelo Ivo, que atuava como oficial de ligação no ICE, conforme publicação do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental no X. O texto afirma que nenhum estrangeiro pode contornar pedidos formais de extradição.
O Ministério das Relações Exteriores convocou a encarregada de Negócios interina da Embaixada dos EUA, Kimberly Kelly, para prestar explicações. A reunião ocorreu na tarde de terça-feira, 21 de março de 2026, conforme confirmação do Itamaraty, sem detalhes divulgados.
Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, afirmou à GloboNews que o agente americano perde acesso às dependências da PF e aos sistemas usados no Brasil. Ele destacou que a medida foi tomada pelo princípio da reciprocidade e reiterou que não houve expulsão de brasileiro pela PF.
As informações oficiais divergem: o Departamento de Estado dos EUA informou a expulsão de um funcionário brasileiro por suposta perseguição política. A PF reiterou que nenhuma das ações corresponde a uma expulsão de servidor brasileiro nem a uma expulsão de americano.
Marcelo Ivo de Carvalho atuava desde 2023 como oficial de ligação da PF em Miami. Natural de Santos (SP), ele tem formação em direito e passou pela gestão de unidades da PF em Guarulhos e em São Paulo entre 2016 e 2021.
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