O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, disse que não teme guerra com os Estados Unidos, mas afirma que a ilha precisa se preparar para possíveis agressões externas. A declaração ocorre em meio a apagões, escassez de combustível e endurecimento de sanções americanas, com tom de alerta.
Em entrevista publicada nesta terça-feira pelo site Opera Mundi, Díaz-Canel afirmou que a preparação não busca agressão, mas visa evitar surpresas e derrotas caso haja ataque. A afirmação reforça a postura de defesa da Revolução, da soberania e da independência.
O líder cubano ressaltou que o diálogo com Washington continua, desde que haja respeito ao sistema político, à soberania e à independência de Cuba, sem imposições e em condições de igualdade. A posição contrasta com avanços diplomáticos limitados.
Na segunda-feira (20), um alto diplomata cubano informou que autoridades mantiveram conversas com representantes dos EUA, ainda em estágio inicial, segundo veículo oficial. Díaz-Canel enfatizou que as negociações não avançaram para etapas decisivas.
Desde janeiro, a administração Trump tem adotado política de pressão máxima contra Cuba, com foco em mudanças e cortes de importações de petróleo, ampliando impactos econômicos na ilha.
Apoio internacional
O presidente destacou apoio internacional ao regime cubano, citando o Brasil como país irmão e elogiando o governo de Luiz Inácio Lula da Silva na denúncia do bloqueio. Foram mencionadas doações de organizações como o MST.
Além do Brasil, Cuba mencionou apoio de China, Colômbia, México e Rússia, com envio de alimentos, insumos e suporte energético. Organizações internacionais também atuam para mobilizar recursos e assistência.
Díaz-Canel analisou ainda o endurecimento do bloqueio norte-americano, com efeitos diretos na vida cotidiana. Ele informou que a oferta de energia elétrica cobre apenas atividades essenciais, diante de apagões prolongados.
Momentos de até 30 horas sem energia foram relatados em comunidades, afetando trabalho, educação e serviços. A chapa de ensino foi reorganizada com menos aulas presenciais e mais atividades remotas, embora haja limitações de conectividade.
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