A comissão de jurados da Venice Biennale afirmou nesta quinta-feira que não irá considerar países cujos dirigentes tenham acusações de crimes contra a humanidade protocoladas pelo Tribunal Penal Internacional. A medida afeta Israel e a Rússia, influindo na disputa pelos grandes prêmios da mostra internacional de arte.
Segundo a nota publicada pela Bienal, a decisão reflete uma responsabilidade com o papel histórico da instituição, que liga a arte a questões urgentes do tempo. A declaração foi divulgada no dia seguinte ao anúncio oficial do júri, liderado por Solange Farkas, fundadora da Videobrasil.
A organização destacou que o júri defenderá direitos humanos, alinhando-se à visão do curador da exposição principal, Koyo Kouoh. A posição implica na não consideração de países com lideranças acusadas pelo ICC de crimes contra a humanidade.
Pavilhões sob escrutínio e contexto internacional
Israel e Rússia possuem pavilhões na Giardini, mas o debate sobre participação tem sido intenso neste edição. Grupos de artistas e conselheiros assinaram cartas pedindo a exclusão de pavilhões desses países, bem como do dos Estados Unidos, citado por alguns como alvo de críticas, embora não haja acusações pelo ICC contra o país.
Entre os temas recorrentes, houve críticas quanto à ausência de um pavilhão palestino oficial. A Biennale afirmou não poder excluir nações reconhecidas pelo governo italiano, mantendo o princípio de evitar censura cultural.
Participação e votações
A presença oficial da Rússia na mostra ocorre pela primeira vez desde o início do conflito na Ucrânia, após o retorno do pavilhão ao festival sob outro formato. O caso da Palestina permanece sem reconhecimento formal como país pela Itália, o que complica sua participação institucional.
Reação e desdobramentos
Não houve resposta imediata de um porta-voz da Biennale aos pedidos de comentário. A polêmica sobre excluding pavilhões teve repercussão entre políticos europeus, que já discutiram cortes de recursos à Biennale caso o pavilhão russo permaneça.
Contexto internacional
A ICC emitiu mandados de prisão contra líderes de Israel e Rússia nos últimos anos por acusações de crimes contra a humanidade. Outros mandatários com acusações semelhantes, como Omar al-Bashir, também aparecem no radar internacional, sem ligação direta com a presença de seus países na Bienal.
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