O resultado das eleições recentes na Europa Central aponta para uma derrota quase geral das formações social-democratas na região, enquanto o nacionalismo de direita ganha espaço na fronteira leste da UE. Em Budapeste, a derrota histórica de Viktor Orban foi celebrada, com Petér Magyar indicado para liderar um governo de centro-direita, diante de uma oposição fragmentada.
Na Bulgária, o pleito recente elegeu um primeiro-ministro nacionalista e alinhado a Moscou, com postura rígida sobre migração e críticas ao pacto verde da UE. O Partido Socialista, presente no parlamento desde 1989, não conseguiu conquistar nenhum assento.
Contexto político na região
Na República Tcheca, o Partido Social-Democrata foi esmagado em duas eleições seguidas, e o premiê Andrej Babiš avança com uma linha de “Czechia First”. Eslovênia aproxima-se de ter o próximo premiê com uma liderança de direita. Em Eslováquia, o governo expulsou o partido de Robert Fico do grupo socialista europeu.
No polo leste, a esquerda progressista cede espaço ao eleitorado urbano, rural e de maior idade, que migrou para o populismo de direita após crises econômicas recentes. A crise de 2008 e o fluxo migratório de 2015 acentuaram a perda de confiança em governos tradicionais e favoreceram agendas nacionalistas.
Consequências para a UE e o futuro da esquerda
A região, com histórico de orbitas soviéticas e influências conservadoras, demonstra descontentamento com a desigualdade e a demora de reformas. Sem oferta convincente da esquerda, surgem forças nacionalistas que defendem soberania e políticas restritivas, ampliando o espectro político.
A situação favorece a continuidade de governos populistas em países como Polônia e Hungria, onde a esquerda percebe dificuldades para consolidar alternativas. Ainda assim, há consistência entre liberalização dos direitos e cooperação com Bruxelas quando há defesa de minorias.
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