A Coreia do Norte tem acelerado o desenvolvimento de armas nucleares e reforçado seu arsenal em meio ao conflito no Oriente Médio, segundo análise de especialistas ouvidos pela AFP. O regime de Kim Jong-un utiliza o momento de tensão internacional para ampliar capacidades estratégicas, mantendo laços mais próximos com a Rússia.
Desde o início dos ataques ao Irã, no fim de fevereiro, Pyongyang realizou cinco lançamentos de mísseis, conforme levantamento da AFP. Os testes ocorrem após Kim Jong-un afirmar que a posição do país como Estado com armas nucleares seria consolidada de forma irreversível. Há leitura de que as manobras visam demonstrar avanços técnicos e maior domínio de armas de uso dual.
Contexto estratégico
Analistas destacam que os lançamentos fazem parte de uma tendência de adaptação do poder militar norte-coreano às mudanças na relação entre Estados Unidos, Rússia e China. Lim Eul-chul, da Universidade Kyungnam, aponta que o atual cenário de segurança internacional favorece a aceleração do programa nuclear norte-coreano. Lim acrescenta que o regime busca acumular conquistas visíveis em capacidades bélicas.
Apoio russo e desdobramentos regionais
A cooperação com a Rússia é retratada como fator relevante no reforço logístico e técnico de Pyongyang, com episódios como a inauguração recente de uma ponte rodoviária entre os dois países. Também há sinalização de cooperação em áreas agrícolas e de saúde, discutida por embaixadores e autoridades russas durante visitas à Coreia do Norte.
Perspectivas e próximas ações
Especialistas indicam que Pyongyang deve manter testes de mísseis balísticos e avançar na miniaturização de ogivas, além de explorar ataques de saturação. Analistas ressaltam que a Coreia do Norte busca consolidar a narrativa de dissuasão ofensiva enquanto fortalece a dissuasão nuclear e convencional em paralelo. O contexto sugere que o regime continua a utilizar o momento geopolítico para ampliar seu poder estratégico.
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