O governo dos Emirados Árabes Unidos anunciou a saída do país da OPEP, encerrando uma participação de 59 anos no consórcio. A decisão passa a valer em 1º de maio, com o objetivo de aumentar a produção em meio a um cenário de volatilidade no mercado de energia.
O anúncio, divulgado pela agência de imprensa state-run WAM, sustenta que a medida resulta de uma revisão abrangente da política de produção e da capacidade do país. A saída é apresentada como alinhada à visão estratégica de longo prazo dos Emirados e ao perfil energético em evolução.
A decisão ocorre em um contexto geopolítico tenso, incluindo o conflito com o Irã e restrições no tráfego de navios pelo Estreito de Hormuz. Dados da EIA indicam quedas de produção em vários países da região entre março e abril.
Historicamente, o episódio não é o primeiro: em 2021 os Emirados contestaram cotas de produção dentro do acordo da OPEP+, buscando aumento de quota para ampliar capacidade, sem sucesso total na ocasião. A ADNOC aponta meta de chegar a 5 milhões de bpd até 2027.
A saída não representa afastamento da responsabilidade global, segundo o comunicado. O país afirma que compensará o aumento de oferta de forma gradual, mantendo investimentos em petróleo, gás, energias renováveis e tecnologias de baixo carbono.
Com a saída, os Emirados ganham maior flexibilidade para reagir a dinâmicas de mercado, já que a OPEP impõe limites de produção que ajudam a sustentar preços. O grupo passa a contar com menos um dos seus maiores produtores, o que pode impactar o equilíbrio de oferta mundial.
Mercado e implicações
O preço do Brent reagiu rapidamente, ultrapassando US$ 100 o barril, atingindo cerca de US$ 111 no momento. A OPEP enfrenta pressões internas há meses, com países como Iraque, Cazaquistão e os Emirados excedendo quotas ou sendo obrigados a compensar desvios.
A saída segue a de Qatar, em 2019, e ocorre à frente de uma reunião do grupo em Viena. O Emirados afirmam manter compromisso com investidores, clientes e mercados globais de energia, reafirmando cooperação continuada com a OPEP de forma diferente.
Segundo o governo, a decisão é tomada por interesse nacional, com base no que o país identifica como demanda global em crescimento nos próximos anos. A mudança amplia a flexibilidade de resposta a condições de mercado.
Fonte: WIRED Middle East.
Entre na conversa da comunidade