O governo do Egito apresentou um projeto ambicioso para desviar até 10 milhões de metros cúbicos de água do Nilo por dia, direcionando o recurso ao deserto. O objetivo é abastecer uma cidade planejada e irrigar um novo polo agrícola, num contexto de alta pressão hídrica.
A iniciativa envolve a criação de Jirian, uma cidade de 6,8 milhões de m² localizada a 42 quilômetros do Cairo. Anunciado em junho de 2025, o empreendimento terá áreas habitacionais, zonas comerciais e marina. O plano está integrado ao megaprojeto New Delta, que busca converter 2,28 milhões de acres de deserto em terras cultiváveis.
A água do Nilo seria captada no braço Rashid e deslocada por meio de seis estações elevatórias que vencem o terreno até o destino final. A proposta sustenta que a infraestrutura manterá o aporte diário de 10 milhões de m³ de forma contínua, com tecnologia semelhante a projetos anteriores de grande porte.
A iniciativa foi formalizada por três incorporadoras privadas em parceria com a Mostakbal Misr for Sustainable Development, ligada às Forças Armadas, e recebeu aval do Primeiro-Ministro Mostafa Madbouly. O governo diz que a meta valoriza ativos estatais e eleva o uso da terra com ideias inovadoras, gerando empregos e ocupando o território de forma planejada.
Especialistas e organizações internacionais apontam riscos. A FAO informa que o Egito enfrenta estresse hídrico, com cerca de 500 m³ per capita por ano, e depende em mais de 90% de recursos vindos do Nilo. Críticos alertam que volumes expressivos destinados a um projeto imobiliário podem agravar a pressão hídrica e tensionar relações com vizinhos como Sudão e Etiópia.
A assinatura entre construtoras e a estatal militar marcou o estágio inicial do acordo. Ainda faltam cronogramas detalhados, além da captação de recursos para viabilizar a construção. O projeto caminha entre promessas de desenvolvimento regional e a necessidade de assegurar a segurança hídrica da população.
Entre na conversa da comunidade