A Bienal de Veneza, em sua 61ª edição, abrirá na próxima semana com mudanças significativas devido ao retorno do pavilhão russo e à candidatura de Israel. A ausência do ministro da Cultura da Itália, Alessandro Giuli, marca o tom institucional do momento. A exibição ocorre enquanto a geopolítica domina os debates da mostra.
Mais de 200 artistas, curadores e trabalhadores assinaram cartas pedindo a exclusão do pavilhão de Israel por denúncias de direitos humanos, e outra carta citou a guerra no Irã. A organização, porém, manteve a participação russa, justificando o cumprimento de sanções vigentes.
O júri internacional renunciou na quinta-feira, dia 30, abrindo espaço para dois Prêmios dos Visitantes, decididos por votação do público. A renúncia ocorreu sem explicação pública detalhada, segundo a organização, que não comentou o motivo exato do afastamento.
Revolta interna
A controvérsia expõe divisão entre o conselho da Bienal e o corpo de jurados, responsável pelos principais prêmios. O painel já havia sinalizado, antes de renunciar, que não premiaria artistas de países cujos líderes enfrentam acusações do TPI. A Rússia permanece com pavilhão no evento, e Israel terá espaço compartilhado.
A presidente Solange Farkas e demais jurados afirmaram que desejam manter o papel histórico da Bienal como ponte entre arte e urgências do tempo. A fundação manteve a decisão de incluir a Rússia, argumentando que não houve violação de regulamentos.
O ministro da Cultura da Itália não comparecerá à cerimônia de abertura. Em vez disso, Giuli enviará inspetores para o local principal, para recolher informações sobre a reabertura do Pavilhão Russo, segundo a assessoria.
A Ucrânia e a Comissão Europeia questionaram a inclusão russa. O chanceler ucraíno pediu reconsideração, e a UE sinalizou possível retaliação financeira se a decisão não for revista. As tensões, porém, não impediram a agenda artística da Bienal.
O pavilhão russo contará com visitação restrita ao público entre 6 e 8 de maio, conforme anunciado. Em 2020, a Rússia já havia participado de forma reduzida, depois de protestos de artistas. Israel moverá parte das obras para o Arsenale, em Veneza, mantendo o pavilhão em espaço menor.
Entre na conversa da comunidade