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Postagens enganam ao ligar prisão de Maduro à fartura em Venezuela

Verificação aponta que supermercados venezuelanos já estavam abastecidos e vendiam em dólar antes da prisão de Maduro; não há relação com intervenção norte‑americana

Postagens enganam ao atribuir abastecimento de mercados na Venezuela à operação dos Estados Unidos
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O conteúdo viral mostra um vídeo em que supostamente há fartura de produtos em um supermercado venezuelano, com preços em dólar, e liga esse cenário à prisão de Nicolás Maduro. A peça afirma que os mercados estariam abastecidos graças a uma suposta ofensiva dos EUA, o que não procede.

O Estadão Verifica analisou o material e apurou que o vídeo não corresponde a um fato novo. Registros do mesmo supermercado, em 2024 e 2025, mostram abastecimento semelhante ao exibido no vídeo. Jornalistas venezuelanos confirmam que a prática de aceitar dólar já existia antes da prisão de Maduro.

Além disso, especialistas destacam que a Venezuela enfrenta crise econômica antiga, com dólar amplamente utilizado para compras. O país vive hoje com baixo poder de compra, mesmo com oferta de produtos abundante em prateleiras, algo comprovado por reportagens locais.

Contexto econômico

O uso do dólar nas transações aumentou há anos na Venezuela, caracterizando uma dolarização de fato. Em 2018, supermercados passaram a aceitar dólares como pagamento, segundo fontes locais. A prática já era comum antes de atos recentes envolvendo o governo americano.

Relatos de veículos venezuelanos apontam que, mesmo com oferta variada, muitos cidadãos enfrentam dificuldade de compra devido à desvalorização do bolívar e à inflação. Em Caracas e outras cidades, preços em dólares convivem com itens em bolívares.

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