O plano apresentado por Donald Trump para a Faixa de Gaza encontra entrave pelo recuo do Hamas em desarmar, dizem mediadores internacionais. O principal diplomata responsável pelo cessar-fogo, Nickolay Mladenov, afirmou nesta quarta-feira que o acordo depende da entrega de armas pelo grupo, condição que está sendo rejeitada pelo Hamas e que freia progressos, inclusive na reconstrução do território devastado.
Mladenov, que atua como Alto Representante do Conselho Internacional para a Paz em Gaza, classificou a atual janela de negociação como inegociável enquanto o Hamas não cumprir o desarmamento. Ele ressaltou que o cessar-fogo tem sido crucial para evitar uma nova ofensiva em grande escala, ainda que as redes humanitárias indiquem condições de vida extremamente precárias para mais de 2 milhões de habitantes.
O Hamas condiciona qualquer desmilitarização à retirada das tropas israelenses. O Exército de Israel continua a controlar boa parte da Faixa de Gaza. Segundo o diplomata, o plano prevê a withdraw perimetral apenas com a implementação integral dos seus termos, o que, na prática, não ocorreu desde o acordo de cessar-fogo.
O relatório de Mladenov também mencionou que o Hamas consolidou poder em áreas sob seu controle, o que ele descreveu como um obstáculo para negociações futuras. Em entrevista coletiva, o diplomata indicou possibilidade de envolvimento do Hamas na Gaza pós-conflito, desde que haja desarmamento completo, enfatizando que não se busca extinguir o movimento político do grupo.
A resistência de Israel às operações do Hamas é explicada pela resposta a ataques ocorridos desde 7 de outubro de 2023, que provocaram dezenas de milhares de mortes em Gaza e altas perdas em Israel. Autoridades israelenses reiteram a determinação de neutralizar o grupo que governa Gaza há décadas.
Desfecho do plano e perspectivas
A discussão sobre o que viria a seguir, em caso de desarmamento, permanece em aberto. Mediadores destacam que a reconstrução de Gaza depende de avanços no desarmamento, controle de armas e segurança para a população. Enquanto isso, ataques aéreos e combates continuam nos arredores, acentuando o temor de nova escalada militar.
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