O Ministério da Cultura da Guatemala instaurou o processo para reivindicar uma lintel de pedra com cerca de 1.200 anos que foi repatriada dos Estados Unidos para o México no meio de abril. A peça, datada entre 600 e 900 d.C., foi removida ilegalmente de seu território de origem e chegou ao consulado mexicano em Nova York por meio de um empresário norte-americano não identificado.
A lintel mostra rituais envolvendo o deus do sol e Cheleew Chan K’inich, um dos últimos governantes da antiga cidade maia de Yaxchilán, e é assinada pelo gravador conhecido como Mayuy. Especialistas destacam a singularidade da assinatura do artista, uma das poucas registradas entre as obras maias antigas.
Contexto histórico e disputa de propriedade
A peça foi documentada pela primeira vez por exploradores americanos em meados do século XX, Dana e Ginger Lamb, em florestas tropicais do norte da Guatemala e do sul do México, na região próximo ao rio Usumacinta. O local original é próximo a esse curso d’água, que hoje separa os dois países.
Pesquisas de Stephen Houston, professor de antropologia, apontam que a descoberta ocorreu no lado guatemalteco do Usumacinta. A confusão sobre a posse resulta de ambiguidades históricas da região e de interpretações diferentes sobre a onde a lintel foi encontrada.
A cobertura do caso, segundo reportagem da Art Newspaper e análises de Cultural Property News, sugere que decisões apressadas sobre restituição podem produzir equívocos. Guatemala apresentou reivindicação poucas horas após a repatriação ser concluída, segundo as fontes citadas.
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