O número de casos suspeitos de Ebola no leste da República Democrática do Congo ultrapassou 900, segundo o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Desses, 101 já foram confirmados. O epicentro fica na província de Ituri, onde a violência e a instabilidade dificultam o enfrentamento da doença.
O Ministério da Saúde congoles reportou 204 mortes entre 867 casos suspeitos até o último levantamento. A OMS elevou o risco de disseminação nacional para muito alto, com o risco regional classificado como alto e o global como baixo.
A crise humanitária na região agrava as dificuldades de contenção. Em Ituri, uma em cada quatro pessoas depende de ajuda, e uma a cada cinco está deslocada internamente. A OMS aponta que a violência força a fuga de moradores, profissionais de saúde e equipes humanitárias, prejudicando o rastreamento de contatos.
Desinformação e desconfiança também atrapalham as ações locais. Na semana passada, manifestantes incendiaram tendas de tratamento após um conflito envolvendo um enterro seguro de uma pessoa possivelmente morta pela doença.
Propagação e desafios
O vírus já ultrapassou as fronteiras, com Uganda registrando cinco casos confirmados até o fim de semana. Um cidadão americano infectado no Congo está sob tratamento no hospital Charité, em Berlim, sem necessidade de cuidados intensivos, segundo a instituição.
O surto foi oficialmente declarado em 15 de maio em Ituri, e a OMS declarou emergência de saúde pública de importância internacional no dia seguinte. Há indícios de circulação do vírus há meses sem detecção.
A atual epidemia envolve uma variante rara, Bundibugyo, para a qual ainda não existe vacina nem tratamento específico. A taxa de mortalidade estimada varia entre 30% e 50%.
A OMS reforça a necessidade de vigilância, rastreamento de contatos e apoio humanitário para a região, diante das dificuldades logísticas e do contexto de violência.
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