O surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) é registrado como o primeiro grande teste de uma crise de saúde global sem a participação direta dos EUA na governança sanitária internacional. A saída dos EUA da OMS e o desmantelamento da Usaid são citados como fatores que amplificam riscos para a população mundial e, também, para a própria população norte-americana.
Em apenas 11 dias, a RDC confirmou mais de mil pacientes e registrou mais de 200 óbitos, marcando um dos avanços mais acelerados na história de doenças infecciosas. Especialistas apontam que, com monitoramento sanitário mais robusto, o alarme poderia ter ocorrido mais cedo.
Contexto internacional
Uganda anunciou o fechamento da fronteira com a RDC após registrar sete casos na capital Kampala. Em resposta, o governo dos EUA decidiu enviar cidadãos expostos ao ebola para centros de quarentena no Quênia, numa medida extraordinária para evitar retorno de infectados.
Segundo o New York Times, um grupo de profissionais do Serviço de Saúde Pública dos EUA será enviado ao Quênia, com o objetivo de impedir que viajantes expostos entrem novamente no país. A rede ABC revelou um memorando do CDC pedindo voluntários para triagem em três aeroportos africanos.
Canadá, México e outros parceiros anunciaram suspensões temporárias de entrada de viajantes provenientes da RDC, Uganda e do Sudão do Sul, como parte de medidas para reduzir a circulação do vírus na região.
Desdobramentos no âmbito nacional e regional
A saída da OMS reduz a capacidade de coordenação internacional em saúde, com impactos também para programas de controle de doenças nos EUA. A OMS já sofre com um orçamento reduzido, superior a meio bilhão de dólares no ajuste financeiro, segundo relatos.
No Brasil, o tema é discutido em termos de capacidade de resposta global e de cooperação entre organismos multilaterais, sem reflexões sobre políticas públicas nacionais. Nos EUA, a gestão da saúde pública passou por mudanças sob a administração em vigência.
Contexto epidemiológico e desafios
A cepa Bundibugyo do ebola é de alto risco, sem vacina ou tratamento antiviral específico disponível no momento. A crise reabre o debate sobre a importância de recursos humanos em saúde pública, não apenas soluções tecnológicas para vacinas.
A ocupação do leste da RDC por milícias, com apoio de Ruanda, está dificultando a atuação de autoridades de saúde, agravando prevenção, monitoramento e atendimento médico. Em 2018, ataques a hospitais e disputas por corpos também comprometeram esforços de contenção.
A epidemia atual ressalta a necessidade de fortalecimento de equipes de campo, vigilância epidemiológica e coordenação entre governos e organizações internacionais para evitar que conflitos regionais comprometam a resposta a emergências de saúde pública.
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